Agricultores do Rio Grande do Sul relatam dificuldades para comprar combustível justamente no início do plantio. ANP e Petrobras dizem que não há desabastecimento generalizado, mas episódio mostra uma vulnerabilidade que também interessa ao MATOPIBA: sem diesel disponível no momento certo, máquinas param e a janela agrícola continua correndo.
Existe um insumo que não vai dentro do solo.
Mas sem ele:
PRATICAMENTE NADA ACONTECE NA FAZENDA.
Diesel.
No Rio Grande do Sul, produtores rurais estão relatando dificuldades para conseguir combustível justamente em um período crítico do calendário agrícola.
O problema aparece enquanto propriedades começam operações relacionadas às safras de:
ARROZ E SOJA.
A preocupação é suficientemente relevante para ter chegado à Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, a Farsul, que acionou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia.
Existe, entretanto, uma divergência importante.
Enquanto produtores relatam restrições e dificuldades de fornecimento em determinadas regiões, ANP e Petrobras afirmam que não existe um quadro generalizado de desabastecimento.
A Petrobras informou que suas entregas seguem os compromissos assumidos e que existem importações programadas para setembro e outubro para acompanhar a demanda.
Mesmo assim, o episódio traz uma discussão importante para qualquer grande região agrícola brasileira.
Inclusive:
O MATOPIBA.
DIESEL NÃO É APENAS MAIS UM CUSTO DA SAFRA
Ele está presente praticamente em toda a operação.
Tratores.
Pulverizadores.
Colheitadeiras.
Caminhões.
Geradores.
Máquinas de apoio.
Transporte de insumos.
Transporte de grãos.
Quando o preço aumenta, o custo cresce.
Mas quando o produto não está disponível:
O PROBLEMA MUDA DE DIMENSÃO.
Não se trata mais apenas de pagar mais caro.
Trata-se da possibilidade de não conseguir executar determinada operação no momento planejado.
E AGRICULTURA POSSUI JANELA
Uma indústria pode, em determinadas situações, adiar uma operação por alguns dias.
A agricultura possui limitações diferentes.
Existe uma janela para:
preparar;
plantar;
aplicar;
fertilizar;
e colher.
O calendário é influenciado por:
chuva;
umidade;
temperatura;
ciclo da cultura;
e condições do solo.
Por isso, uma interrupção logística relativamente curta pode produzir consequências maiores do que parece.
O RIO GRANDE DO SUL TEM UM AGRAVANTE NESTE MOMENTO
Produtores estão preocupados também com as condições climáticas.
A influência do El Niño aumenta a atenção sobre volumes de chuva e sobre a possibilidade de redução das janelas disponíveis para determinadas operações.
Isso cria uma combinação delicada:
JANELA AGRÍCOLA MAIS APERTADA + DIFICULDADE DE ABASTECIMENTO.
Quando o clima permite entrar na área, máquinas precisam estar prontas.
E máquinas prontas precisam de combustível.
O DIESEL S-500 ESTÁ NO CENTRO DOS RELATOS
Parte das dificuldades relatadas envolve principalmente o diesel S-500, ainda utilizado em diferentes operações e equipamentos agrícolas.
Produtores sem contratos fixos com grandes distribuidoras estariam enfrentando maior dificuldade para encontrar combustível nas condições habituais.
Isso revela outra questão estratégica:
SEGURANÇA DE ABASTECIMENTO TAMBÉM FAZ PARTE DA GESTÃO DA FAZENDA.
Comprar pelo menor preço possível continua importante.
Mas disponibilidade também possui valor.
O PROBLEMA NÃO NASCEU NECESSARIAMENTE DENTRO DO BRASIL
O mercado de combustíveis é conectado internacionalmente.
Alterações no petróleo e nos derivados afetam:
paridade de importação;
disponibilidade;
preço;
margem dos importadores;
e decisões de compra.
Quando importar diesel deixa de ser economicamente atraente para agentes privados, a oferta adicional pode diminuir.
É nesse ponto que um evento ocorrido a milhares de quilômetros pode terminar afetando:
UMA PLANTADEIRA NO INTERIOR DO BRASIL.
O PETRÓLEO VOLTOU A PRESSIONAR A CONTA
As cotações internacionais estão novamente em níveis elevados.
Isso aumenta a preocupação com o custo dos derivados e dificulta a entrada de produto importado quando existe diferença relevante entre os preços internacionais e domésticos.
O problema não precisa necessariamente resultar em falta nacional de combustível.
Basta ocorrer uma combinação de:
demanda elevada;
estoques regionais menores;
dificuldade logística;
menor interesse de importadores;
e concentração do consumo agrícola.
O resultado pode aparecer primeiro:
LOCALMENTE.
E É EXATAMENTE POR ISSO QUE O CASO INTERESSA AO MATOPIBA
Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí possuem algumas das maiores operações agrícolas do país.
Durante períodos de plantio e colheita, milhares de máquinas entram em operação praticamente ao mesmo tempo.
O consumo de combustível aumenta rapidamente.
Grandes propriedades podem consumir volumes expressivos em poucos dias.
E muitas delas estão:
LONGE DOS GRANDES CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO.
Essa distância transforma logística de combustível em variável estratégica.
UMA FAZENDA PODE TER MILHÕES EM MÁQUINAS PARADAS POR FALTA DE UM ÚNICO INSUMO
Imagine uma operação com:
tratores;
plantadeiras;
pulverizadores;
colheitadeiras;
caminhões;
equipes;
e toda a estrutura preparada.
O investimento em equipamentos pode chegar a dezenas de milhões de reais.
Mas sem combustível:
TUDO PARA.
Essa é uma das grandes características da gestão operacional.
Uma cadeia é tão eficiente quanto o seu ponto mais vulnerável.
ESTOQUE PASSA A SER UMA DECISÃO ESTRATÉGICA
A situação do Rio Grande do Sul reacende uma discussão importante para grandes produtores.
Quanto combustível manter armazenado?
Qual deve ser o estoque mínimo?
Quantos dias de autonomia a propriedade possui?
Existe fornecedor alternativo?
Existe contrato?
Qual o prazo de reposição?
O armazenamento atende às normas de segurança e ambientais?
Essas perguntas deixam de ser meramente administrativas quando a operação entra em uma janela crítica.
PREÇO NÃO PODE SER O ÚNICO CRITÉRIO
Imagine dois fornecedores.
Um oferece combustível ligeiramente mais barato, mas possui maior risco de atraso.
Outro possui estrutura regional, estoque e capacidade comprovada de entrega.
Durante uma janela tranquila, a diferença pode parecer pequena.
Durante o plantio:
CONFIABILIDADE POSSUI VALOR ECONÔMICO.
Uma economia de alguns centavos por litro pode desaparecer rapidamente se dezenas de máquinas ficarem algumas horas ou dias paradas.
EXISTE TAMBÉM O EFEITO SOBRE O FRETE
O diesel não afeta somente aquilo que acontece dentro da porteira.
Ele é um dos principais componentes do transporte rodoviário.
Portanto, uma alta persistente pode pressionar:
frete de fertilizantes;
frete de sementes;
transporte de defensivos;
movimentação de máquinas;
frete de soja;
frete de milho;
frete de algodão;
e outras cargas.
Ou seja:
O DIESEL ENTRA NA FAZENDA E TAMBÉM SAI DELA EMBUTIDO NO FRETE.
PARA O MATOPIBA, ESSA CONTA É PARTICULARMENTE IMPORTANTE
A região possui grandes distâncias.
Uma propriedade pode estar a centenas de quilômetros:
do terminal;
da ferrovia;
do porto;
do fornecedor;
ou do centro de distribuição.
Quanto maior a distância:
MAIOR A EXPOSIÇÃO AO CUSTO RODOVIÁRIO.
É por isso que combustível possui impacto tão significativo sobre a competitividade regional.
O PROBLEMA DO SUL NÃO SIGNIFICA QUE FALTARÁ DIESEL NO MATOPIBA
Essa distinção é fundamental.
Até o momento, não existe base para afirmar que o mesmo cenário ocorrerá na região.
ANP e Petrobras também contestam a existência de um desabastecimento generalizado no próprio Rio Grande do Sul.
Portanto:
NÃO É UM ALERTA DE FALTA DE DIESEL NO MATOPIBA.
É um alerta de gestão.
O caso mostra o que pode acontecer quando demanda agrícola, mercado internacional, logística e disponibilidade regional se encontram em um período crítico.
O PRODUTOR PRECISA GERENCIAR RISCO, NÃO PREVER O FUTURO
Ninguém sabe exatamente:
quanto o petróleo custará daqui a algumas semanas;
como estarão as importações;
qual será a disponibilidade regional;
ou quando ocorrerá o próximo choque externo.
Mas é possível conhecer:
consumo médio da propriedade;
capacidade de armazenamento;
autonomia;
fornecedores;
tempo de reposição;
e alternativas disponíveis.
É isso que transforma incerteza em:
GESTÃO DE RISCO.
UMA SAFRA PROFISSIONAL COMEÇA ANTES DA PLANTADEIRA ENTRAR NA ÁREA
Planejamento não significa apenas:
cultivar;
população;
fertilizante;
defensivo;
máquina;
e janela.
Também significa garantir que toda a estrutura necessária estará disponível quando a operação começar.
Combustível precisa entrar nessa lista.
O CASO DO RIO GRANDE DO SUL DEIXA UMA LIÇÃO SIMPLES
O agro brasileiro tornou-se extremamente tecnológico.
Máquinas autônomas.
Telemetria.
GPS.
Agricultura de precisão.
Aplicação localizada.
Dados em tempo real.
Mas existe uma realidade básica que continua válida:
SEM COMBUSTÍVEL, A TECNOLOGIA NÃO SAI DO LUGAR.
Para o MATOPIBA, que está entrando em mais um ciclo agrícola de enorme escala, acompanhar preço é importante.
Mas acompanhar:
disponibilidade;
estoque;
autonomia;
contratos;
e fornecedores
pode ser ainda mais importante quando a janela começar a apertar.
O problema relatado a milhares de quilômetros da região deixa um recado útil:
DIESEL NÃO DEVE SER TRATADO APENAS COMO DESPESA.
Em uma grande operação agrícola:
ELE TAMBÉM É SEGURANÇA OPERACIONAL.
MATOPIBA NEWS – Credibilidade que conecta o MATOPIBA.




