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Bahia dispara no plantio da soja enquanto Tocantins fica para trás e safra 2026/27 começa em ritmos opostos no MATOPIBA

Com 20% da área já semeada, Bahia avança acima da média histórica para o período. Tocantins, por outro lado, está oito pontos percentuais atrás do ano passado, enquanto Maranhão e Piauí ainda dão os primeiros passos no plantio. Diferença expõe como a chegada irregular das chuvas está desenhando cenários distintos dentro da maior fronteira agrícola do país.

O MATOPIBA começou a plantar a safra de soja 2026/27.

Mas existe um detalhe importante:

OS QUATRO ESTADOS NÃO ESTÃO COMEÇANDO JUNTOS.

O levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra uma diferença expressiva no ritmo de semeadura entre Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí.

Até 23 de outubro, a Bahia já havia plantado:

20% DA ÁREA PREVISTA DE SOJA.

No Tocantins:

10%.

No Maranhão:

5%.

E no Piauí:

2%.

Mais do que números diferentes, os percentuais mostram como chuva, umidade do solo e calendário agrícola estão criando situações bastante distintas dentro do próprio MATOPIBA.

BAHIA LARGOU NA FRENTE

O avanço mais expressivo está na Bahia.

Uma semana antes, aproximadamente 14% da área havia sido semeada.

Agora:

20%.

Existe outro dado importante.

A média dos últimos cinco anos para este momento do calendário é de aproximadamente:

13,8%.

Ou seja, a Bahia está mais de seis pontos percentuais à frente de sua média recente.

O ritmo também é equivalente aos 20% registrados no mesmo período da safra passada.

POR QUE A BAHIA CONSEGUIU AVANÇAR?

O monitoramento da Conab ajuda a explicar.

O plantio começou principalmente:

NAS ÁREAS IRRIGADAS

e nas regiões do Oeste da Bahia onde as chuvas conseguiram recuperar a umidade do solo.

Esse detalhe é fundamental.

O calendário sanitário pode permitir o plantio.

Mas quem determina se existe condição agronômica para colocar a semente no solo é principalmente:

A ÁGUA.

TOCANTINS ESTÁ NO CENÁRIO OPOSTO

Se a Bahia aparece adiantada em relação à média, o Tocantins chama atenção pelo motivo contrário.

A semeadura alcançou:

10%.

No mesmo momento do ano passado:

18%.

Média dos últimos cinco anos:

14,2%.

Portanto, o estado está aproximadamente:

8 PONTOS PERCENTUAIS ATRÁS DE 2025

e mais de quatro pontos abaixo de sua média recente.

É uma diferença relevante no início da safra.

A CHUVA COMEÇOU A DESTRAVAR O PLANTIO TOCANTINENSE

Isso não significa necessariamente que o atraso será mantido.

A Conab registra que o retorno das chuvas permitiu avanço da semeadura em diferentes áreas do Tocantins.

Mas havia uma diferença interna importante:

O NORTE DO ESTADO AINDA NÃO HAVIA INICIADO O PLANTIO NO PERÍODO MONITORADO.

Portanto, o percentual estadual esconde situações regionais bastante diferentes.

MARANHÃO ESTÁ EM 5%

No Maranhão, o plantio começou principalmente pelo sul do estado.

Até 23 de outubro:

5% DA ÁREA ESTAVA SEMEADA.

No mesmo período da safra passada:

1%.

A média dos últimos cinco anos era aproximadamente:

3,6%.

Portanto, embora o número absoluto ainda seja pequeno, o Maranhão começou esta temporada acima tanto do ano anterior quanto de sua média recente.

PIAUÍ: APENAS 2%, MAS ACIMA DA MÉDIA

No Piauí, a semeadura ainda está no início.

Apenas:

2%.

Mas existe uma diferença importante entre “plantio baixo” e “plantio atrasado”.

No ano passado, o estado estava em:

1%.

E a média de cinco anos para o período é de aproximadamente:

1,2%.

Isso significa que, apesar de apenas 2% da área estar plantada, o Piauí não aparece necessariamente atrasado em relação ao seu próprio calendário histórico.

O plantio começou principalmente nas áreas de Cerrado.

QUATRO ESTADOS. QUATRO RITMOS.

O retrato atual fica assim:

BAHIA — 20%

TOCANTINS — 10%

MARANHÃO — 5%

PIAUÍ — 2%

À primeira vista, poderia parecer que Bahia está muito adiantada e Piauí extremamente atrasado.

Mas essa comparação direta pode enganar.

Cada estado possui:

Calendário próprio.

Regime de chuvas diferente.

Zonas de produção distintas.

Períodos sanitários específicos.

Condições de solo diferentes.

Por isso, o dado mais importante não é apenas comparar um estado com outro.

É comparar cada estado:

COM ELE MESMO.

E ESSA COMPARAÇÃO MUDA A HISTÓRIA

Quando olhamos a média dos últimos cinco anos:

BAHIA — acima da média.

MARANHÃO — acima da média.

PIAUÍ — acima da média.

TOCANTINS — abaixo da média.

Portanto, neste momento, o Tocantins é o estado do MATOPIBA que apresenta o sinal mais claro de atraso relativo.

ENQUANTO ISSO, O BRASIL ACELEROU

O contraste fica ainda mais interessante quando observamos o restante do país.

Nos 12 estados monitorados pela Conab, que representam cerca de 95% da área brasileira de soja, o plantio chegou a:

42,8%.

No mesmo período do ano passado:

34,8%.

Média dos últimos cinco anos:

40,2%.

Ou seja:

O BRASIL ESTÁ PLANTANDO MAIS RÁPIDO QUE NO ANO PASSADO E ACIMA DA MÉDIA RECENTE.

O MATOPIBA, porém, segue um calendário naturalmente mais tardio que grandes regiões produtoras do Centro-Oeste.

MATO GROSSO JÁ PASSOU DOS 75%

Para dimensionar a diferença entre as fronteiras agrícolas:

Mato Grosso já havia semeado:

75,8% DA ÁREA.

Mato Grosso do Sul:

60%.

São Paulo:

60%.

Paraná:

47%.

Goiás:

41%.

Essa diferença não significa atraso generalizado no MATOPIBA.

Ela reflete principalmente calendários agrícolas e regimes pluviométricos diferentes.

O GRANDE FATOR DE NOVEMBRO SERÁ A CHUVA

Agora começa a etapa mais importante.

Os quatro estados entram em novembro com o plantio em andamento.

E a velocidade de avanço dependerá principalmente da:

REGULARIDADE DAS PRECIPITAÇÕES.

Isso é particularmente relevante porque o MATOPIBA está entrando no mês sob influência de um El Niño em fortalecimento.

Os boletins climáticos oficiais apontam risco maior de irregularidade das chuvas em áreas do Norte e Nordeste durante os próximos meses.

Portanto, o desafio não será apenas receber uma grande chuva.

Será receber:

CHUVA SUFICIENTE E BEM DISTRIBUÍDA.

PLANTAR DEPOIS DA PRIMEIRA CHUVA PODE SER ARRISCADO

Existe uma diferença enorme entre:

SOLO MOLHADO

e

ESTAÇÃO CHUVOSA ESTABELECIDA.

Uma precipitação forte pode criar condição para semeadura.

Mas a soja recém-plantada continuará precisando de água nos dias seguintes.

Se ocorrer uma janela prolongada de calor e pouca chuva após a emergência, aumenta o risco de:

Falhas de estabelecimento.

Desuniformidade.

Estresse hídrico.

Necessidade de replantio em situações mais severas.

Por isso, o produtor acompanha não apenas o acumulado registrado.

Ele precisa observar a continuidade.

A BAHIA TEM UMA VANTAGEM IMPORTANTE: IRRIGAÇÃO

O Oeste da Bahia possui uma das maiores concentrações de agricultura irrigada do país.

Isso permite que determinadas áreas iniciem operações independentemente da mesma regularidade de chuva exigida por lavouras exclusivamente de sequeiro.

Mas é importante colocar essa vantagem em perspectiva.

A maior parte da produção regional continua dependente das chuvas.

Portanto, mesmo em uma região altamente tecnológica, o comportamento atmosférico permanece decisivo.

O PLANTIO É APENAS A PRIMEIRA ETAPA

Avançar rapidamente na semeadura pode ser positivo.

Mas não garante produtividade.

Depois que a soja emerge, começa uma longa sequência de fases em que a disponibilidade de água continuará sendo determinante.

Desenvolvimento vegetativo.

Florescimento.

Formação das vagens.

Enchimento dos grãos.

Cada estágio possui sensibilidades diferentes.

Por isso, a fotografia atual mostra apenas:

COMO A SAFRA COMEÇOU.

Não como ela terminará.

A CORRIDA AGORA É CONTRA O CALENDÁRIO E CONTRA O CLIMA

Novembro deverá acelerar fortemente a implantação das lavouras no MATOPIBA.

Para quem ainda espera condições adequadas, cada nova rodada de chuva poderá abrir uma janela operacional.

Máquinas entram.

Plantadeiras avançam.

Equipes aumentam o ritmo.

Milhares de hectares podem ser semeados em poucos dias.

Mas uma interrupção prolongada das precipitações pode produzir o efeito contrário.

EXISTE AINDA UM EFEITO SOBRE A SEGUNDA SAFRA

Embora o milho segunda safra tenha peso diferente entre os estados do MATOPIBA, atrasos na soja podem repercutir sobre culturas plantadas posteriormente.

Quanto mais tarde a soja entra:

mais tarde ela tende a sair.

E isso pode comprimir janelas agrícolas subsequentes.

Essa relação torna o início da temporada importante não apenas para a soja.

A SAFRA 2026/27 COMEÇA MOSTRANDO QUE NÃO EXISTE “UM ÚNICO MATOPIBA”

Quando falamos em MATOPIBA, frequentemente tratamos uma área gigantesca como se tivesse uma única realidade agrícola.

Os dados desta safra mostram o contrário.

Enquanto produtores baianos já avançaram sobre um quinto da área prevista:

20%.

No Piauí:

98% AINDA NÃO HAVIAM SIDO SEMEADOS ATÉ 23 DE OUTUBRO.

Isso não representa necessariamente problema.

Representa calendários e condições diferentes.

A comparação mais relevante está no histórico de cada estado.

E nesse quesito:

BAHIA, MARANHÃO E PIAUÍ COMEÇARAM ACIMA DE SUAS MÉDIAS RECENTES.

TOCANTINS COMEÇOU ABAIXO.

Agora, novembro será decisivo.

Se as chuvas ganharem regularidade, os percentuais podem mudar rapidamente.

Se a irregularidade aumentar, a distância entre os diferentes MATOPIBAs poderá ficar ainda maior.

A safra 2026/27 já começou.

Mas, para milhões de hectares da região, a largada de verdade será dada pela próxima sequência consistente de chuvas.

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Aroldo Junior

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