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US$ 480 bilhões evaporam na China e acendem alerta mundial: a bolha da Inteligência Artificial começou a estourar?

Empresas que se tornaram símbolos da corrida chinesa pela Inteligência Artificial perderam centenas de bilhões de dólares em valor de mercado. A forte correção expõe avaliações extremamente elevadas, dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA e mostra ao restante do mundo o risco de transformar uma revolução tecnológica em uma corrida especulativa.

US$ 480 BILHÕES.

Aproximadamente R$ 2,5 trilhões, dependendo da cotação cambial.

Esse é o tamanho da destruição de valor registrada em menos de quatro meses no STAR 50, índice da Bolsa de Xangai que reúne algumas das principais empresas de tecnologia e inovação negociadas no STAR Market.

O número chama atenção por si só.

Mas existe algo ainda mais importante acontecendo por trás dele.

A China pode estar oferecendo ao mundo uma prévia do que acontece quando uma tecnologia verdadeiramente revolucionária encontra um mercado financeiro disposto a pagar praticamente qualquer preço pela promessa de crescimento futuro.

A Inteligência Artificial continua avançando.

As empresas continuam vendendo.

A demanda por capacidade computacional continua enorme.

Mas as ações despencaram.

E essa aparente contradição está no centro de um debate que ultrapassa as fronteiras chinesas:

O MERCADO EXAGEROU NAS EXPECTATIVAS SOBRE A IA?

A QUEDA GANHOU FORÇA

Nesta quinta-feira, 29 de outubro, a pressão voltou com intensidade aos mercados chineses.

O índice tecnológico:

STAR 50 caiu 4,3%.

O ChiNext Composite, que acompanha empresas de crescimento e tecnologia, recuou:

4,4%.

E o índice CSI de empresas ligadas à comunicação 5G despencou:

7,4%.

Enquanto isso, o Shanghai Composite caiu 0,8% e o CSI 300 recuou 1%.

Ou seja:

A QUEDA FOI MUITO MAIS VIOLENTA NO SETOR TECNOLÓGICO.

Não se trata apenas de um dia ruim para a bolsa chinesa.

É a continuação de uma correção que já vinha acontecendo há meses.

CERCA DE US$ 480 BILHÕES DESAPARECERAM

Segundo levantamento publicado pela Reuters, o STAR 50 acumulou queda de aproximadamente:

40% EM MENOS DE QUATRO MESES.

A perda de valor de mercado chegou a cerca de:

US$ 480 BILHÕES.

Para efeito de comparação, o índice CSI 300, muito mais amplo e composto por grandes companhias chinesas, havia recuado aproximadamente 20% em relação ao pico registrado em junho.

A diferença mostra onde está concentrada uma parcela importante da pressão:

TECNOLOGIA, SEMICONDUTORES E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL.

ALGUMAS DAS QUEDAS SÃO IMPRESSIONANTES

Empresas que poucos meses atrás eram disputadas freneticamente por investidores sofreram fortes correções.

A Unitree, fabricante chinesa de robôs humanoides, perdeu aproximadamente:

METADE DO VALOR DE SUAS AÇÕES DESDE SUA ESTREIA EM BOLSA EM AGOSTO.

A fabricante de chips CXMT perdeu mais de um quarto de seu valor em aproximadamente um mês.

MetaX Integrated Circuits e Moore Threads Technology também perderam cerca de metade do valor desde julho.

Isso chama ainda mais atenção quando lembramos como essas empresas chegaram ao mercado.

A MetaX, por exemplo, havia disparado cerca de:

700% EM SUA ESTREIA NA BOLSA.

A Moore Threads chegou a avançar aproximadamente:

400%.

E a demanda pela oferta da Unitree havia sido milhares de vezes superior à quantidade de ações disponibilizada.

Era uma corrida para entrar.

Agora existe uma corrida para reavaliar quanto essas empresas realmente valem.

EMPRESAS CRESCEM — E AS AÇÕES CAEM

Talvez o aspecto mais interessante dessa história esteja nos balanços.

Porque a correção não está acontecendo simplesmente porque todas essas empresas pararam de crescer.

Veja o caso de duas importantes fabricantes chinesas de chips para IA.

A Hygon Information Technology registrou nos nove primeiros meses de 2026 crescimento de:

57,6% NA RECEITA.

O faturamento chegou a aproximadamente:

15 BILHÕES DE YUANS.

O lucro líquido avançou:

45,1%.

para aproximadamente 2,8 bilhões de yuans.

Mesmo assim, suas ações haviam perdido mais de 40% em relação ao pico de julho.

A CAMBRICON CRESCEU AINDA MAIS

A Cambricon Technologies apresentou números ainda mais impressionantes.

Receita nos nove primeiros meses:

+106,8%.

aproximadamente 9,5 bilhões de yuans.

Lucro líquido:

+131,5%.

aproximadamente 3,7 bilhões de yuans.

O lucro acumulado até setembro já superava o resultado de todo o ano anterior.

E ainda assim:

AS AÇÕES TAMBÉM CAÍRAM MAIS DE 40% DESDE AS MÁXIMAS DE 2026.

Isso revela uma característica fundamental de uma bolha financeira.

Uma empresa não precisa necessariamente estar piorando para suas ações despencarem.

Às vezes, basta que ela cresça:

MENOS DO QUE O PREÇO DA AÇÃO JÁ PRESSUPUNHA.

O PROBLEMA PODE NÃO SER A IA

Essa distinção é essencial.

Uma eventual bolha nas ações de Inteligência Artificial não significa necessariamente que:

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É UMA BOLHA.

São coisas diferentes.

A internet transformou a economia mundial.

Mesmo assim, houve uma enorme bolha nas empresas de internet no final dos anos 1990.

Quando a bolha pontocom estourou, a internet não desapareceu.

Pelo contrário.

Ela continuou transformando praticamente todos os setores da economia.

Mas muitas empresas estavam avaliadas por preços que seus resultados não conseguiam justificar.

A pergunta que começa a surgir novamente é:

ESTAMOS VENDO ALGO PARECIDO COM A IA?

O PREÇO CORREU MAIS RÁPIDO QUE O LUCRO?

Um dos números ajuda a compreender o tamanho da preocupação.

Mesmo depois de uma queda próxima de 40%, o STAR 50 ainda negociava recentemente perto de:

100 VEZES OS LUCROS PASSADOS.

Antes da correção, essa relação havia chegado perto de:

250 VEZES.

Para comparação, a Reuters destacou que o Nasdaq 100 negociava ao redor de:

30 VEZES OS LUCROS.

Isso não significa automaticamente que as empresas chinesas estejam caras demais.

Empresas de crescimento podem negociar com múltiplos elevados porque investidores antecipam lucros futuros muito maiores.

O problema começa quando a expectativa necessária para justificar aquele preço se torna extraordinariamente difícil de entregar.

A MATEMÁTICA DA EXPECTATIVA

Imagine uma empresa que vale muito porque investidores acreditam que seus lucros irão multiplicar rapidamente.

Ela divulga resultados.

Receita cresce 50%.

Lucro cresce 40%.

Em circunstâncias normais, seriam números excelentes.

Mas se o preço da ação já incorporava a expectativa de crescimento ainda maior, o mercado pode concluir:

“É UMA EXCELENTE EMPRESA. MAS ESTÁ CARA DEMAIS.”

E vender.

É justamente essa separação entre:

QUALIDADE DA TECNOLOGIA

e

PREÇO DO ATIVO

que o investidor precisa compreender.

A EUFORIA FOI ENORME

Antes da queda, a exposição do mercado chinês ao tema havia atingido proporções extraordinárias.

Segundo dados do Goldman Sachs citados pela Reuters, ações relacionadas à IA chegaram a representar:

42% DO VALOR DE MERCADO

considerando ações chinesas continentais e ações H negociadas em Hong Kong.

Mais impressionante ainda:

elas chegaram a responder por aproximadamente:

57% DO VOLUME NEGOCIADO.

Mais da metade das negociações estava concentrada no universo relacionado à Inteligência Artificial.

Quando tanto dinheiro começa a perseguir o mesmo tema, uma mudança relativamente pequena nas expectativas pode provocar movimentos enormes.

O QUE PROVOCOU A QUEDA?

Não existe um único gatilho.

A correção resulta de uma combinação de fatores.

O primeiro:

VALUATIONS EXTREMAMENTE ELEVADOS.

Depois de altas extraordinárias, investidores passaram a questionar quanto crescimento futuro já estava embutido nos preços.

O segundo:

DÚVIDAS SOBRE O RETORNO DOS INVESTIMENTOS EM IA.

Construir infraestrutura de Inteligência Artificial exige investimentos gigantescos.

Chips.

Memórias.

Data centers.

Energia.

Redes.

Sistemas de refrigeração.

Modelos.

Engenheiros.

A questão deixou de ser apenas:

“IA vai crescer?”

Provavelmente vai.

A pergunta financeira passou a ser:

“QUANTO DESSE INVESTIMENTO VAI SE TRANSFORMAR EM LUCRO?”

EXISTE TAMBÉM O RISCO GEOPOLÍTICO

Empresas chinesas de tecnologia operam em um ambiente particularmente complexo.

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China envolve:

Semicondutores.

Equipamentos de fabricação de chips.

Inteligência Artificial.

Data centers.

Infraestrutura digital.

Restrições comerciais.

Algumas empresas chinesas também enfrentam o risco de novas limitações de acesso a mercados internacionais.

Fabricantes chinesas de componentes ópticos como Zhongji Innolight e Eoptolink chegaram a perder aproximadamente:

60% DESDE SUAS MÁXIMAS.

Parte da pressão ocorreu em meio à possibilidade de restrições norte-americanas ao fornecimento de equipamentos para data centers dos Estados Unidos.

EXISTE AINDA UM PROBLEMA DE CUSTO

Outro fator pressiona a indústria chinesa de IA:

MEMÓRIA DE ALTA LARGURA DE BANDA — HBM.

Esse componente é fundamental para aceleradores utilizados em Inteligência Artificial.

Em setembro, a Reuters revelou que fabricantes chinesas estavam elevando preços de processadores justamente porque os custos dessas memórias haviam aumentado.

A Cambricon, por exemplo, havia indicado aumentos entre:

20% E 30%

para determinado chip planejado.

Na Huawei, indicações de preço de uma placa Ascend 950DT ficaram entre:

20% E 50%

acima de cotações apresentadas cerca de dois meses antes.

Ou seja:

a corrida da IA também enfrenta gargalos físicos.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PRECISA PROVAR SEU RETORNO

Durante a primeira fase da revolução da IA generativa, praticamente qualquer anúncio relacionado à tecnologia conseguia atrair investidores.

Agora o mercado começa a fazer perguntas mais difíceis.

Quanto custa construir a infraestrutura?

Quanto custa operar os modelos?

Quanto as empresas conseguem cobrar?

Quantos clientes realmente pagarão?

Qual será a margem?

Quanto tempo levará para recuperar os bilhões investidos?

Essa mudança é decisiva.

O mercado começa a migrar da fase:

“QUEM ESTÁ INVESTINDO EM IA?”

para:

“QUEM ESTÁ CONSEGUINDO GANHAR DINHEIRO COM IA?”

E É AÍ QUE A CHINA SE TORNA UM ALERTA PARA O MUNDO

O fenômeno não está isolado.

Nos Estados Unidos, empresas relacionadas à IA também alcançaram avaliações extraordinárias.

E gigantes de tecnologia estão destinando enormes volumes de capital à construção de infraestrutura.

O Nasdaq havia recuado aproximadamente 6% desde uma máxima histórica recente quando a Reuters comparou os movimentos.

A queda americana ainda era muito menor do que a chinesa.

Mas o princípio econômico é semelhante.

Quanto maiores as expectativas:

MAIOR PRECISA SER A ENTREGA.

UMA EMPRESA PODE SER REVOLUCIONÁRIA E UMA AÇÃO PODE ESTAR CARA

Essa é talvez a principal lição dessa correção.

Tecnologia e investimento não são sinônimos.

Uma empresa pode desenvolver uma tecnologia extraordinária.

Pode crescer rapidamente.

Pode conquistar mercado.

Pode até transformar uma indústria.

E ainda assim suas ações podem cair 50%.

Por quê?

Porque o mercado não pergunta apenas:

“ESSA EMPRESA É BOA?”

Ele pergunta:

“ESSA EMPRESA VALE O PREÇO QUE ESTOU PAGANDO?”

A CORREÇÃO PODE AFETAR NOVOS PROJETOS

Existe ainda uma consequência que ultrapassa quem comprou ações.

Quando empresas de tecnologia negociam a avaliações muito elevadas, captar dinheiro no mercado fica mais fácil.

Elas podem realizar IPOs.

Emitir novas ações.

Financiar expansão.

Investir em pesquisa.

Contratar engenheiros.

Construir infraestrutura.

Mas quando o mercado despenca, essa porta começa a fechar.

Gestores ouvidos pela Reuters avaliam que a correção poderá dificultar novas listagens de empresas chinesas de tecnologia.

Isso pode reduzir o ritmo de financiamento justamente em um momento em que China e Estados Unidos disputam liderança tecnológica.

E SE A CORREÇÃO CONTINUAR?

Existem alguns caminhos possíveis.

O primeiro:

AS AÇÕES CAEM ATÉ OS PREÇOS VOLTAREM A SER COMPATÍVEIS COM OS RESULTADOS.

Nesse cenário, a tecnologia continua crescendo, mas o mercado elimina o excesso especulativo.

O segundo:

OS LUCROS CRESCEM RAPIDAMENTE E PASSAM A JUSTIFICAR PARTE DAS AVALIAÇÕES.

Nesse caso, algumas das empresas mais fortes podem emergir da correção ainda maiores.

O terceiro:

AS EXPECTATIVAS DE DEMANDA NÃO SE CONFIRMAM.

Esse seria o cenário mais preocupante, porque poderia gerar redução de investimentos em toda a cadeia.

NÃO SIGNIFICA O FIM DA IA CHINESA

Seria precipitado interpretar a queda como colapso tecnológico.

A China continua construindo uma cadeia doméstica de semicondutores.

Fabricantes locais conquistaram espaço importante no mercado de aceleradores para IA.

Empresas chinesas continuam aumentando receitas.

Pequim continua tratando semicondutores e Inteligência Artificial como áreas estratégicas.

E grandes grupos continuam comprando capacidade computacional.

Portanto:

A CORREÇÃO FINANCEIRA NÃO É O MESMO QUE UMA DERROTA TECNOLÓGICA.

PODE HAVER OPORTUNIDADES NO MEIO DA QUEDA

Nem todos os investidores enxergam o movimento exclusivamente como desastre.

Depois de uma correção tão grande, algumas instituições começam a identificar empresas cujo risco-retorno voltou a parecer mais atraente.

A UBS, por exemplo, avaliou nesta quinta-feira que as avaliações de empresas chinesas de hardware para IA estão próximas de mínimas históricas e já incorporam uma forte desaceleração futura do crescimento dos lucros.

Ou seja:

o mercado pode ter saído de um extremo de euforia e começado a se aproximar de outro ponto de equilíbrio.

MAS A PERGUNTA DE US$ 480 BILHÕES CONTINUA

A Inteligência Artificial provavelmente continuará sendo uma das tecnologias mais importantes das próximas décadas.

Mas isso não significa que qualquer preço pago por uma empresa de IA seja racional.

Essa diferença já custou aproximadamente:

US$ 480 BILHÕES

ao valor de mercado do STAR 50 em poucos meses.

E agora o mundo observa.

Porque a China pode estar alguns meses à frente de um processo que outros mercados ainda terão que enfrentar:

A TRANSIÇÃO DA EUFORIA PARA A COBRANÇA POR RESULTADOS.

O primeiro estágio da revolução da IA foi dominado por uma pergunta:

“ATÉ ONDE ESSA TECNOLOGIA PODE CHEGAR?”

O próximo poderá ser muito mais difícil:

“QUANTO DINHEIRO ELA CONSEGUE REALMENTE GERAR?”

Se os lucros acompanharem os trilhões investidos, a atual correção chinesa poderá ser lembrada apenas como uma forte limpeza dos excessos.

Se não acompanharem, a queda de Xangai poderá entrar para a história como um dos primeiros grandes sinais de que o mercado financeiro colocou preço demais em uma promessa que ainda precisava de tempo para se transformar em lucro.

A Inteligência Artificial não precisa fracassar para existir uma bolha.

BASTA QUE O PREÇO DAS EXPECTATIVAS TENHA CRESCIDO MAIS RÁPIDO DO QUE A REALIDADE.

E é exatamente essa diferença que os mercados começaram a recalcular.

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Aroldo Junior

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