Projetos aprovados para Bacabeira (MA) e Parnaíba (PI) envolvem siderurgia verde, hidrogênio, e-metanol, biocombustíveis e ferro-gusa de baixo carbono. Juntos, os investimentos previstos colocam duas áreas do MATOPIBA diante de uma oportunidade que vai além do agronegócio: transformar energia, recursos naturais e infraestrutura logística em indústria voltada ao mercado internacional.
Quando se fala em grandes investimentos no MATOPIBA, a primeira associação costuma ser quase automática:
agronegócio.
Soja.
Milho.
Algodão.
Armazéns.
Máquinas.
Fertilizantes.
Agroindústrias.
Mas uma nova carteira de projetos aprovada pelo governo federal mostra que outra transformação econômica começa a disputar espaço na região.
A industrialização de baixo carbono.
O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou, em agosto, cinco novos projetos industriais e de serviços nas ZPEs de Pecém, no Ceará, Bacabeira, no Maranhão, e Parnaíba, no Piauí.
O pacote completo chega a R$ 206 bilhões.
Mas existe um detalhe especialmente importante para o MATOPIBA:
R$ 24,3 bilhões dos investimentos previstos estão concentrados somente no Maranhão e no Piauí.
São projetos relacionados a:
hidrogênio verde;
e-metanol;
etanol de segunda geração;
bioprodutos;
HBI Verde;
ferro-gusa verde.
Em outras palavras, não estamos falando simplesmente de novas fábricas convencionais.
Estamos falando de empreendimentos construídos ao redor de uma das maiores transformações industriais das próximas décadas:
a tentativa de reduzir as emissões de carbono na produção de energia, combustíveis e aço.
BACABEIRA CONCENTRA R$ 23,2 BILHÕES
O maior movimento dentro do MATOPIBA acontece no Maranhão.
Somados, os três projetos aprovados para a ZPE de Bacabeira representam aproximadamente:
R$ 23,2 BILHÕES
em investimentos previstos.
Os empreendimentos são bastante diferentes entre si.
Mas possuem um elemento em comum:
produção voltada à nova economia de baixo carbono.
4WOOD BIOTECH: R$ 2,7 BILHÕES
O primeiro projeto é da 4Wood Biotech.
A empresa pretende investir aproximadamente R$ 2,7 bilhões na instalação de uma biorrefinaria em Bacabeira.
A proposta é utilizar biomassa de bambu para produzir:
etanol de segunda geração;
e outros bioprodutos destinados à exportação.
O conceito de etanol de segunda geração é particularmente interessante.
Diferentemente da produção convencional, que utiliza matérias-primas ricas em açúcares ou amidos, tecnologias de segunda geração buscam aproveitar materiais lignocelulósicos presentes na biomassa vegetal.
Isso permite transformar estruturas vegetais em matéria-prima industrial.
O BAMBU PODE VIRAR COMBUSTÍVEL
É uma mudança significativa na lógica econômica da biomassa.
Uma planta deixa de ser observada apenas como:
madeira;
fibra;
resíduo;
ou material vegetal.
Passa a ser vista como fonte de moléculas.
Essas moléculas podem alimentar processos industriais capazes de gerar:
combustíveis;
químicos;
materiais;
energia.
É o conceito de biorrefinaria.
Em vez de refinar petróleo, a indústria utiliza biomassa como matéria-prima.
H2X: R$ 2 BILHÕES EM HIDROGÊNIO E E-METANOL
Outro projeto aprovado para Bacabeira pertence à H2X.
O investimento previsto é de aproximadamente R$ 2 bilhões.
O objetivo é produzir hidrogênio verde incorporado ao chamado e-metanol para exportação.
Aqui entramos em outro mercado que está ganhando importância internacional.
O hidrogênio pode ser produzido por eletrólise da água.
Quando a eletricidade utilizada nesse processo vem de fontes renováveis, como energia eólica e solar, o produto é normalmente classificado como hidrogênio verde.
Esse hidrogênio pode posteriormente ser utilizado como matéria-prima para outros combustíveis e produtos químicos.
Entre eles:
e-metanol.
E-METANOL PODE TER PAPEL IMPORTANTE NA DESCARBONIZAÇÃO
O metanol já é utilizado em diferentes aplicações industriais.
A versão produzida a partir de hidrogênio renovável e fontes de carbono compatíveis com uma estratégia de menor emissão tem despertado interesse principalmente em setores difíceis de eletrificar diretamente.
Um dos exemplos é o transporte marítimo.
Grandes companhias globais já estudam ou utilizam embarcações capazes de operar com metanol.
Isso abre uma nova disputa industrial.
Regiões com:
energia renovável abundante;
água;
infraestrutura;
portos;
áreas industriais;
podem tentar se posicionar como produtoras desses combustíveis.
E o Maranhão possui vários desses elementos.
MAS O MAIOR PROJETO É OUTRO
Dos três investimentos aprovados para Bacabeira, um sozinho representa a maior parte do volume financeiro.
É o projeto da Hydeas.
Investimento previsto:
R$ 18,5 BILHÕES
A proposta é produzir HBI Verde, utilizando fontes renováveis de energia.
Para compreender a importância disso, precisamos falar sobre uma das indústrias mais relevantes — e intensivas em carbono — do mundo.
A siderurgia.
PRODUZIR AÇO EMITE MUITO CARBONO
O aço está praticamente em todos os lugares.
Prédios.
Pontes.
Máquinas.
Automóveis.
Ferrovias.
Equipamentos agrícolas.
Indústrias.
Navios.
Infraestrutura energética.
Mas sua produção tradicional possui uma pegada de carbono significativa.
Parte importante dessas emissões está associada à redução do minério de ferro e ao uso de combustíveis fósseis em determinadas rotas siderúrgicas.
Por isso, existe uma corrida tecnológica para produzir aço com menor emissão.
E um dos caminhos passa justamente por produtos como o HBI.
O QUE É HBI?
HBI significa Hot Briquetted Iron.
Em português, costuma ser chamado de ferro briquetado a quente.
De maneira simplificada, trata-se de ferro reduzido transformado em briquetes densos que podem ser transportados e utilizados como matéria-prima na siderurgia.
Quando sua produção utiliza rotas de menor emissão e energia renovável, o material pode integrar cadeias de aço verde ou de menor intensidade de carbono.
É exatamente esse mercado que o projeto maranhense pretende explorar.
POR QUE ISSO É IMPORTANTE PARA O MARANHÃO?
Porque o estado possui uma combinação incomum de vantagens.
Está conectado à produção mineral do Pará.
Possui infraestrutura ferroviária.
Possui estrutura portuária em São Luís.
Está inserido em uma região com enorme potencial de geração renovável.
E possui localização atlântica estratégica.
Essa combinação ajuda a criar uma lógica industrial.
Em vez de simplesmente transportar matéria-prima para outros países:
por que não agregar mais valor antes da exportação?
Essa pergunta está no centro de boa parte das políticas industriais modernas.
É A MESMA LÓGICA QUE DISCUTIMOS NO AGRONEGÓCIO
O MATOPIBA NEWS tem acompanhado um movimento semelhante no agro.
Produzir milho é importante.
Transformar milho em etanol, DDGS, óleo e energia adiciona novas cadeias.
Produzir soja é importante.
Transformá-la em óleo, farelo, biodiesel ou proteína animal aumenta a quantidade de atividade econômica construída ao redor do grão.
Na mineração, o raciocínio é semelhante.
Extrair minério é uma etapa.
Beneficiar é outra.
Transformar em produtos intermediários de maior valor acrescenta uma nova camada industrial.
Quanto mais etapas permanecem dentro da região, maior tende a ser o potencial de geração de:
empregos;
fornecedores;
serviços;
tecnologia;
arrecadação;
conhecimento industrial.
PARNAÍBA ENTRA NESSA MESMA CORRIDA
No Piauí, o projeto aprovado para a ZPE de Parnaíba pertence à Hymetalx.
O investimento previsto é de aproximadamente:
R$ 1,1 BILHÃO
O objetivo é implantar uma unidade dedicada à produção de ferro-gusa verde, utilizando hidrogênio verde produzido com eletricidade renovável.
A estimativa oficial apresentada pelo MDIC é de 605 empregos diretos totais associados ao projeto.
Para uma cidade como Parnaíba, trata-se de um empreendimento industrial relevante.
O PIAUÍ TEM UMA CARTA IMPORTANTE: ENERGIA
Nos últimos anos, o estado ganhou enorme relevância no setor de energias renováveis.
Especialmente:
solar;
eólica.
Isso cria uma oportunidade que vai além de simplesmente gerar eletricidade e enviá-la para o Sistema Interligado Nacional.
A energia pode ser utilizada como insumo industrial.
Essa diferença é estratégica.
EXPORTAR ELETRICIDADE OU USAR ELETRICIDADE PARA FABRICAR OUTRA COISA?
Imagine uma região extremamente competitiva na geração de energia renovável.
Existem diferentes maneiras de monetizar essa vantagem.
Uma é vender a própria eletricidade.
Outra é atrair indústrias intensivas em energia para perto da geração.
Nesse segundo modelo, a eletricidade ajuda a produzir:
hidrogênio;
combustíveis sintéticos;
metais;
data centers;
fertilizantes;
produtos químicos;
materiais industriais.
A energia passa a funcionar como uma vantagem locacional.
ESSA PODE SER UMA DAS GRANDES OPORTUNIDADES DO MATOPIBA
A região já possui recursos extraordinários.
Terra.
Sol.
Vento.
Biomassa.
Grãos.
Minerais em áreas próximas.
Infraestrutura portuária.
Ferrovias.
Localização estratégica.
A próxima etapa é conectar esses recursos.
É aí que aparece uma economia muito mais complexa.
Imagine uma região onde:
energia renovável produz hidrogênio;
hidrogênio entra na indústria;
minério chega pela ferrovia;
indústria transforma minério;
porto exporta produto de maior valor.
Essa cadeia gera muito mais atividade econômica do que simplesmente exportar cada recurso isoladamente.
MAS O QUE É UMA ZPE?
Para entender por que esses projetos foram aprovados justamente em Bacabeira e Parnaíba, precisamos entender o conceito de Zona de Processamento de Exportação.
ZPEs são áreas industriais com regime tributário, cambial e administrativo específico voltado principalmente à produção destinada ao mercado externo.
A ideia é criar ambientes competitivos para empresas exportadoras.
Elas funcionam como instrumentos de política industrial.
O objetivo é atrair capital, aumentar exportações e incentivar agregação de valor dentro do país.
A ZPE TENTA MUDAR A LÓGICA DA EXPORTAÇÃO
Imagine duas possibilidades.
MODELO 1
O Brasil exporta matéria-prima.
Outro país industrializa.
Outro país captura parte importante do valor agregado.
MODELO 2
O Brasil recebe a matéria-prima.
Industrializa.
Transforma.
Exporta um produto de maior valor.
No segundo modelo, mais etapas da cadeia acontecem dentro do território brasileiro.
Isso pode significar:
mais empregos industriais;
mais engenharia;
mais fornecedores;
mais serviços especializados;
mais tecnologia;
mais conhecimento.
É exatamente esse tipo de movimento que ZPEs tentam estimular.
OS PROJETOS DO MARANHÃO PROJETAM MILHARES DE EMPREGOS NA IMPLANTAÇÃO
Segundo o MDIC, os três projetos aprovados para Bacabeira estimam conjuntamente aproximadamente 10 mil empregos diretos durante a fase de implantação.
Na operação, a projeção apresentada é de aproximadamente 550 postos.
A diferença entre os dois números é importante.
Construir uma grande instalação industrial exige enorme quantidade de mão de obra temporária.
Terraplanagem.
Construção civil.
Montagem.
Elétrica.
Mecânica.
Engenharia.
Soldagem.
Logística.
Depois de pronta, uma planta moderna tende a operar com equipes menores e maior automação.
POR ISSO, O IMPACTO NÃO DEVE SER MEDIDO SOMENTE PELO EMPREGO DIRETO
Uma indústria pode possuir 500 funcionários e movimentar uma cadeia econômica muito maior.
Ela compra:
manutenção;
transportes;
alimentação;
segurança;
equipamentos;
serviços jurídicos;
contabilidade;
engenharia;
tecnologia;
peças;
combustíveis;
energia;
insumos.
Também movimenta fornecedores de fornecedores.
É o chamado efeito de encadeamento.
Quanto maior o número de fornecedores locais capazes de atender a indústria, maior a parcela do impacto econômico que permanece na região.
A GRANDE PERGUNTA É: AS EMPRESAS LOCAIS ESTÃO PREPARADAS?
É aqui que uma notícia de R$ 24,3 bilhões deixa de ser apenas uma manchete sobre grandes corporações.
Um novo complexo industrial cria demanda.
Mas quem capturará essa demanda?
Empresas de São Paulo?
Empresas estrangeiras?
Fornecedores já consolidados em outros polos?
Ou empresas do próprio Maranhão e Piauí?
A resposta dependerá da capacidade empresarial local.
UMA OBRA DE R$ 18,5 BILHÕES PRECISA DE CENTENAS DE FORNECEDORES
Projetos industriais dessa escala demandam uma quantidade gigantesca de produtos e serviços.
Construção civil.
Concreto.
Estruturas metálicas.
Locação de máquinas.
Transporte.
Hotelaria.
Alimentação.
Uniformes.
Segurança.
Medicina ocupacional.
Treinamentos.
Engenharia.
Topografia.
Tecnologia.
Telecomunicações.
Limpeza.
Gestão ambiental.
Manutenção.
Serviços administrativos.
Não significa que todos os contratos serão locais.
Mas significa que surge um mercado potencial.
EMPRESÁRIO PRECISA ENXERGAR O INVESTIMENTO ANTES DE A FÁBRICA FICAR PRONTA
Existe uma diferença entre reagir ao desenvolvimento e se preparar para ele.
Quando a indústria inaugura, muitos contratos já foram fechados.
Fornecedores já foram homologados.
Processos já foram estruturados.
Parcerias já foram estabelecidas.
Quem começa a se preparar somente depois da inauguração pode chegar atrasado.
Por isso, grandes anúncios de investimento precisam ser observados como sinais antecipados de mercado.
R$ 24,3 BILHÕES NÃO ENTRAM NA ECONOMIA DE UMA VEZ
Também é importante evitar uma interpretação errada.
A aprovação dos projetos não significa que R$ 24,3 bilhões já foram desembolsados.
São investimentos previstos.
Grandes empreendimentos passam por diferentes etapas:
aprovações;
licenciamento;
engenharia;
financiamento;
contratações;
construção;
comissionamento;
operação.
Cronogramas podem mudar.
Valores podem ser revisados.
Projetos podem ser redimensionados.
Por isso, é fundamental acompanhar a execução.

APROVAÇÃO NÃO É A MESMA COISA QUE FÁBRICA OPERANDO
Essa distinção é especialmente importante quando números bilionários aparecem em manchetes.
O CZPE aprovou os projetos.
Isso é um avanço institucional relevante.
Mas ainda existe um caminho entre aprovação e produção comercial.
O MATOPIBA NEWS acompanhará justamente essa evolução.
Quanto foi efetivamente investido?
Quando começam as obras?
Quais licenças foram obtidas?
Quais fornecedores serão contratados?
Quando começa a operação?
Essas perguntas determinarão o impacto econômico real.
EXISTE OUTRO PONTO CRÍTICO: INFRAESTRUTURA
Uma indústria bilionária não funciona isoladamente.
Precisa de:
energia;
água;
rodovias;
ferrovias;
portos;
telecomunicações;
saneamento;
habitação;
mão de obra;
serviços urbanos.
Quanto maior o empreendimento, maior a pressão sobre a infraestrutura existente.
Isso significa que investimentos privados frequentemente precisam caminhar junto com investimentos públicos ou concessões.
BACABEIRA POSSUI UMA POSIÇÃO GEOGRÁFICA ESTRATÉGICA
Bacabeira está localizada em uma área especialmente relevante do Maranhão.
O município está relativamente próximo da região metropolitana de São Luís e do complexo portuário maranhense.
Essa proximidade é importante para projetos exportadores.
Em indústrias de grande escala, alguns quilômetros adicionais de logística multiplicados por milhões de toneladas podem representar custos significativos.
Por isso, localização industrial não é detalhe.
É parte da competitividade.
O MARANHÃO POSSUI UMA DAS MAIORES VANTAGENS LOGÍSTICAS DO NORDESTE
São Luís reúne uma infraestrutura portuária extraordinariamente relevante.
A região possui acesso a grandes terminais e conexão ferroviária com importantes corredores produtivos e minerais.
Isso significa que projetos instalados no Maranhão podem acessar cadeias que começam muito longe dali.
O artigo publicado ontem pelo MATOPIBA NEWS sobre a aquisição de 30% da Ligga pela Vale mostrou exatamente isso:
minério produzido no Pará pode utilizar ferrovia e porto no Maranhão para alcançar mercados internacionais.
Agora vemos outro movimento:
indústrias podem utilizar essa mesma vocação logística para produzir no Maranhão e exportar para o mundo.
PARNAÍBA POSSUI OUTRA LÓGICA
No Piauí, a vantagem não é idêntica.
Parnaíba está no litoral e inserida em uma região com forte disponibilidade de recursos renováveis.
A combinação entre:
energia;
ZPE;
posição geográfica;
e desenvolvimento industrial
pode criar um novo eixo econômico no norte piauiense.
Isso também ajuda a diversificar geograficamente a economia do estado.
O PIAUÍ NÃO PRECISA SER APENAS UMA POTÊNCIA AGRÍCOLA E ENERGÉTICA
O estado já construiu enorme protagonismo em:
grãos;
energia solar;
energia eólica.
A industrialização pode representar a terceira camada.
Primeiro:
produzir recursos.
Depois:
gerar energia.
Agora:
usar recursos e energia para produzir bens industriais.
Essa é uma transição econômica importante.
O MESMO RACIOCÍNIO VALE PARA TODO O MATOPIBA
Durante décadas, a principal vantagem competitiva regional foi baseada em recursos.
Terra disponível.
Condições agrícolas.
Sol.
Água em determinadas áreas.
Vento.
Minerais.
Agora, a região precisa transformar vantagens naturais em vantagens industriais.
Porque recursos naturais podem ser replicados ou substituídos.
Infraestrutura, conhecimento, empresas, fornecedores e ecossistemas industriais são muito mais difíceis de reproduzir rapidamente.
A NOVA INDÚSTRIA SERÁ INTENSIVA EM CONHECIMENTO
Outro ponto merece atenção.
Uma siderúrgica baseada em hidrogênio verde não exige apenas trabalhadores operacionais.
Precisa de:
engenheiros;
químicos;
técnicos;
especialistas em automação;
profissionais de energia;
cientistas de dados;
profissionais ambientais;
mecânicos;
eletricistas;
especialistas em segurança;
gestores industriais.
Isso aumenta a importância da formação profissional.
SEM QUALIFICAÇÃO LOCAL, PARTE DOS MELHORES EMPREGOS PODE VIR DE FORA
Esse é um risco clássico em grandes ciclos de investimento.
Uma região recebe uma indústria.
Milhares de vagas aparecem.
Mas não existem profissionais locais suficientes com determinadas qualificações.
A empresa precisa contratar pessoas de outras regiões.
Isso não é necessariamente um problema — mobilidade profissional faz parte da economia.
Mas reduz parte do potencial de desenvolvimento local.
Por isso, qualificação precisa acontecer antes da demanda atingir seu pico.
UNIVERSIDADES, SENAI, IFs E EMPRESAS PRECISAM OBSERVAR O QUE ESTÁ CHEGANDO
Se uma região sabe que receberá projetos de:
hidrogênio;
siderurgia;
biocombustíveis;
energia;
automação;
não faz sentido preparar mão de obra olhando exclusivamente para as profissões do passado.
A formação precisa antecipar a economia futura.
Cursos técnicos.
Graduações.
Especializações.
Treinamentos industriais.
Certificações.
Tudo isso precisa conversar com os investimentos que estão sendo atraídos.
A DESCARBONIZAÇÃO ESTÁ CRIANDO UMA NOVA GEOGRAFIA INDUSTRIAL
Durante o século XX, grandes indústrias se instalaram próximas de:
carvão;
petróleo;
grandes centros consumidores;
portos;
jazidas.
A transição energética pode adicionar outro fator:
energia renovável competitiva.
Regiões com abundância de sol e vento podem ganhar vantagem em determinadas indústrias.
Isso pode alterar o mapa industrial.
E o MATOPIBA possui recursos extraordinários justamente nesses dois elementos.
O SOL QUE ANTES ERA APENAS CLIMA AGORA É INSUMO ECONÔMICO
Essa mudança é fascinante.
Durante séculos, sol e vento eram essencialmente condições naturais.
Hoje são ativos econômicos.
Painéis transformam radiação solar em eletricidade.
Turbinas transformam vento em eletricidade.
Eletricidade pode produzir hidrogênio.
Hidrogênio pode alimentar processos industriais.
Processos industriais podem produzir combustíveis e metais.
O recurso natural percorre uma cadeia de agregação de valor.
A PERGUNTA É QUANTO DESSE VALOR FICARÁ NO MATOPIBA
Essa é a questão central.
A região pode simplesmente produzir energia renovável.
Ou pode usar essa energia para construir uma nova base industrial.
A diferença econômica é enorme.
No primeiro modelo:
gera-se energia.
No segundo:
gera-se energia;
produz-se hidrogênio;
transforma-se matéria-prima;
opera-se indústria;
exporta-se produto;
criam-se fornecedores;
formam-se profissionais;
desenvolve-se tecnologia.
É uma cadeia muito maior.
O EMPRESÁRIO REGIONAL PRECISA COMEÇAR A OBSERVAR A ECONOMIA DE BAIXO CARBONO
Mesmo quem não trabalha diretamente com energia ou siderurgia pode ser impactado.
Uma nova indústria precisa de:
imóveis;
hotéis;
restaurantes;
transportadoras;
contadores;
advogados;
clínicas;
construtoras;
consultorias;
empresas de RH;
tecnologia;
marketing;
seguros;
manutenção;
segurança.
Grandes investimentos criam demanda transversal.
O empresário que entende a transformação antes pode adaptar sua empresa.
EXISTE TAMBÉM UMA DISPUTA ENTRE REGIÕES
O Ceará possui projetos gigantescos no Pecém.
Bahia possui importantes projetos industriais e energéticos.
Pernambuco possui Suape.
Outros estados brasileiros disputam:
data centers;
hidrogênio;
combustíveis sustentáveis;
indústrias verdes;
minerais críticos;
biorrefinarias.
Maranhão e Piauí não competem apenas entre si.
Competem por capital global.
CAPITAL VAI PARA ONDE ENCONTRA MELHOR COMBINAÇÃO DE FATORES
Não basta oferecer incentivo fiscal.
Investidores analisam:
energia;
logística;
infraestrutura;
segurança jurídica;
tributação;
mão de obra;
licenciamento;
fornecedores;
mercado;
porto;
conectividade;
risco político;
retorno esperado.
É por isso que desenvolvimento econômico exige coordenação.
Uma vantagem isolada raramente é suficiente.
AS ZPEs PODEM FUNCIONAR COMO CATALISADORAS
O regime especial ajuda a reduzir algumas barreiras para empresas exportadoras.
Mas uma ZPE vazia não gera desenvolvimento.
O verdadeiro resultado aparece quando:
projetos são aprovados;
capital é investido;
obras começam;
indústrias entram em operação;
exportações acontecem;
fornecedores surgem.
É essa sequência que precisará ser monitorada.
OS R$ 24,3 BILHÕES SÃO, PORTANTO, UM PONTO DE PARTIDA
Não uma linha de chegada.
O Maranhão possui três projetos que somam aproximadamente R$ 23,2 bilhões.
O Piauí possui um projeto de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Juntos:
R$ 24,3 BILHÕES
em investimentos industriais previstos dentro do MATOPIBA.
O tamanho chama atenção.
Mas o significado econômico pode ser ainda maior.
O MATOPIBA PODE ESTAR ENTRANDO EM SUA SEGUNDA GRANDE TRANSFORMAÇÃO
A primeira foi agrícola.
Terras do Cerrado que durante décadas eram consideradas pouco competitivas para agricultura de grande escala se transformaram em uma das principais fronteiras produtivas do planeta.
Ciência.
Correção de solo.
Genética.
Máquinas.
Empreendedorismo.
Capital.
Infraestrutura.
Tudo isso construiu o MATOPIBA agrícola.
Agora começa a aparecer outra possibilidade:
o MATOPIBA industrial.
Um território capaz não apenas de produzir commodities, mas de:
processar;
transformar;
industrializar;
gerar energia;
produzir combustíveis;
fabricar materiais;
e exportar produtos de maior valor.
A AGRICULTURA CONTINUARÁ FUNDAMENTAL — MAS NÃO PRECISA ESTAR SOZINHA
Diversificação econômica fortalece regiões.
Quando uma economia depende excessivamente de um único setor, fica mais exposta aos ciclos daquele mercado.
Agricultura possui ciclos.
Mineração possui ciclos.
Energia possui ciclos.
Indústria possui ciclos.
Quanto maior a diversidade econômica, maior pode ser a capacidade regional de absorver choques.
O avanço industrial não substitui o agro.
Pode complementá-lo.
E EXISTEM PONTOS DE ENCONTRO ENTRE ESSAS ECONOMIAS
Biomassa pode vir da agricultura.
Energia renovável pode alimentar agroindústrias.
Hidrogênio pode futuramente participar da produção de fertilizantes.
Ferrovias podem transportar minério e grãos.
Portos podem exportar alimentos, metais e combustíveis.
A infraestrutura construída para uma cadeia pode aumentar a competitividade de outra.
É assim que surgem verdadeiros polos econômicos.
O FUTURO DO MATOPIBA PODE NÃO SER APENAS VERDE PELA AGRICULTURA
Pode ser verde também pela indústria.
Biorrefinarias.
Hidrogênio.
Combustíveis sintéticos.
Siderurgia de menor carbono.
Energia renovável.
Bioprodutos.
Os projetos aprovados para Bacabeira e Parnaíba ainda precisarão percorrer o caminho entre planejamento e execução efetiva.
Esse acompanhamento será fundamental.
Mas a direção é relevante.
Durante décadas, o MATOPIBA chamou atenção do Brasil pela capacidade de transformar o Cerrado em produção agrícola.
Agora, Maranhão e Piauí começam a disputar outra fronteira:
transformar recursos naturais, energia e localização estratégica em indústria de alto valor agregado.
Se os R$ 24,3 bilhões previstos realmente avançarem para obras e operação, o impacto não ficará restrito às empresas responsáveis pelos projetos.
Poderá alcançar fornecedores, profissionais, cidades, infraestrutura e empresários que hoje talvez sequer imaginem fazer parte dessa nova cadeia.
A próxima grande oportunidade econômica do MATOPIBA pode não estar apenas dentro de uma lavoura.
Pode estar dentro de uma fábrica.
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