JBJ Agropecuária amplia operação frigorífica em Rondônia e mira faturamento de R$ 10 bilhões em 2027; grupo controla 14 fazendas e construiu uma operação verticalizada que vai da genética à exportação de carne.
Um novo gigante da pecuária brasileira está acelerando sua expansão.
A JBJ Agropecuária, grupo criado pelo empresário José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, prepara-se para assumir uma nova unidade frigorífica em Rondônia e estima que a expansão poderá elevar seu faturamento dos atuais patamares próximos a R$ 6 bilhões para cerca de R$ 8 bilhões.
Mas a ambição não termina aí.
O grupo já estabeleceu outra marca:
chegar próximo dos R$ 10 bilhões em faturamento até 2027.
Os planos foram detalhados pelo CEO da companhia, Fabrício Batista, em entrevista publicada neste domingo, 16 de agosto, pela EXAME.
NOVO FRIGORÍFICO PODE ADICIONAR R$ 2 BILHÕES
O movimento que deverá acelerar essa expansão está em Rondônia.
A Prima Foods, braço frigorífico da JBJ, adquiriu uma unidade da Frialto em Ji-Paraná. A aquisição havia sido anunciada em julho e, segundo a atualização publicada neste domingo, já recebeu aprovação do Cade. A expectativa é que a companhia assuma a operação no início de setembro, com os abates começando em meados do mês.
Com a aquisição, a Prima Foods passará de três para quatro unidades industriais.
A capacidade conjunta deverá chegar a aproximadamente 3 mil abates por dia.
Segundo Fabrício Batista, o aumento da capacidade industrial poderá acrescentar em torno de R$ 2 bilhões ao faturamento bruto do grupo.
É um incremento equivalente a aproximadamente um terço da receita consolidada de R$ 6 bilhões registrada pelo grupo em 2025.
DE R$ 100 MILHÕES PARA BILHÕES
A velocidade da expansão da JBJ chama atenção.
A companhia surgiu após a saída de José Batista Júnior da estrutura empresarial ligada à JBS e iniciou sua trajetória com ativos rurais.
Em pouco mais de uma década, transformou-se em uma operação que reúne fazendas, pecuária, confinamentos, genética, frigoríficos e exportação de carne.
Em 2025, o grupo alcançou aproximadamente R$ 6 bilhões em receita consolidada.
Agora, a nova planta frigorífica poderá colocar a companhia na casa dos R$ 8 bilhões.
O próximo salto poderá vir de crescimento orgânico ou de novas aquisições.
NOVAS COMPRAS NÃO ESTÃO DESCARTADAS
A expansão em Rondônia pode não ser o último movimento.
Fabrício Batista afirmou que a chegada aos R$ 10 bilhões poderá envolver aumento do número de animais engordados ou até uma nova aquisição.
No curto prazo, entretanto, nenhuma nova operação específica foi anunciada.
A estratégia mostra como a consolidação empresarial continua avançando dentro do agronegócio.
Empresas com maior escala procuram controlar mais etapas da cadeia, adquirir ativos estratégicos e aumentar capacidade industrial.
No caso da JBJ, essa lógica é especialmente evidente.
DO BEZERRO À CARNE EXPORTADA
Um dos diferenciais do modelo construído pelo grupo está na verticalização.
A operação começa antes mesmo do confinamento.
A JBJ atua com genética bovina, cria, recria, engorda, confinamento, abate, processamento e comercialização da carne.
Isso permite que diferentes etapas que normalmente seriam realizadas por empresas independentes façam parte de uma mesma estrutura empresarial.
O grupo possui atualmente 14 fazendas, distribuídas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, somando aproximadamente 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado estáticas.
A operação de confinamento também impressiona.
A companhia trabalha com aproximadamente 500 mil animais por ano, colocando a estrutura entre as maiores operações do gênero na América Latina.

INDÚSTRIA DEVE GANHAR AINDA MAIS PESO
Atualmente, pecuária e indústria possuem participação semelhante nas receitas da JBJ.
Isso deverá mudar.
Com a entrada do frigorífico de Rondônia, Fabrício Batista estima que a atividade industrial passe a representar uma parcela maior do faturamento do grupo.
Essa mudança é estratégica porque processar e comercializar carne permite avançar para etapas de maior valor agregado da cadeia.
Em vez de limitar a operação à produção do animal, a empresa participa também da transformação e comercialização do produto final.
70% DA PRODUÇÃO VAI PARA FORA DO BRASIL
O mercado internacional é outro componente importante da estratégia.
Cerca de 70% da produção da Prima Foods é destinada à exportação, e aproximadamente metade desse volume segue para a China.
Atualmente, a China é o principal mercado externo da companhia.
Na sequência aparecem Oriente Médio, Europa e Estados Unidos.
Mas cada mercado possui características diferentes.
A Europa, por exemplo, ganha relevância não necessariamente pelo volume, mas pela demanda por cortes de maior valor agregado, como filé-mignon e contrafilé.
Isso mostra como a estratégia de uma grande indústria de carnes vai muito além de simplesmente aumentar o número de animais abatidos.
É necessário encontrar os mercados que remuneram melhor cada parte da carcaça.
GENÉTICA PODE MOVIMENTAR R$ 350 MILHÕES
Outro braço chama atenção dentro do conglomerado: genética bovina.
A JBJ prevê realizar 13 leilões de gado em 2026 e estima movimentar aproximadamente R$ 350 milhões somente com genética bovina neste ano.
Nos dias 14 e 15 de agosto, durante a Expogenética, em Uberaba, a terceira edição do Leilão JBJ Genetics e Família Nelorista movimentou R$ 42 milhões em dois dias, crescimento de 23% sobre a edição anterior.
Um dos animais negociados no primeiro dia chegou a R$ 6 milhões.
O objetivo econômico por trás desses valores está na produtividade.
Animais geneticamente selecionados podem apresentar características desejáveis relacionadas a ganho de peso, fertilidade e precocidade.
Na pecuária de grande escala, reduzir o tempo necessário para produzir mais quilos de carne possui impacto direto sobre rentabilidade.
PRÓXIMO PASSO PODE SER INTERNACIONAL
Depois de consolidar a expansão brasileira, a companhia já começa a avaliar possibilidades internacionais.
Os Estados Unidos aparecem como um mercado potencial para o futuro.
Por enquanto, entretanto, a prioridade continua sendo o Brasil.
Existe uma simbologia empresarial interessante nessa estratégia.
José Batista Júnior participou diretamente da construção da JBS antes de deixar o grupo familiar.
Agora, seu filho Fabrício Batista afirma enxergar como responsabilidade da nova geração ajudar a transformar a JBJ em uma companhia de dimensão global.
MAIS UM GRUPO BILIONÁRIO NASCE DENTRO DO AGRO
A trajetória da JBJ mostra como o agronegócio brasileiro continua produzindo empresas de enorme escala.
O grupo possui terras, gado, confinamentos, genética, frigoríficos e acesso aos principais mercados consumidores do planeta.
Com a nova unidade de Rondônia, a empresa projeta adicionar aproximadamente R$ 2 bilhões em faturamento, aproximando-se da marca de R$ 8 bilhões.
Depois disso, o objetivo já está definido:
R$ 10 bilhões em 2027.
Se conseguir alcançar a meta, a JBJ terá construído em pouco mais de uma década um dos grandes conglomerados privados da pecuária brasileira.
E o movimento deixa outra mensagem para o mercado:
a consolidação dentro do agronegócio brasileiro está longe de terminar.
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