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Usinas de cana estudam produzir etanol de milho na entressafra e projeto de até R$ 1,2 bilhão pode mudar mercado do cereal

Projeto estruturado pela StoneX com parceiros pretende adaptar usinas tradicionais para processar milho durante meses de menor atividade da cana. Investimento pode variar entre R$ 400 milhões e R$ 1,2 bilhão por unidade e mostra como o crescimento do etanol de milho começa a aproximar duas cadeias que historicamente operaram de maneira separada.

Durante décadas, duas das maiores culturas brasileiras ocuparam posições bastante diferentes no mercado de biocombustíveis.

CANA-DE-AÇÚCAR → ETANOL.

MILHO → ALIMENTAÇÃO, RAÇÃO E EXPORTAÇÃO.

Essa divisão está desaparecendo rapidamente.

E um novo projeto em desenvolvimento no Centro-Sul brasileiro mostra até onde essa transformação pode chegar.

A StoneX está estruturando, em parceria com a Aplus Engenharia e a Prata Biosoluções, um modelo para adaptar usinas tradicionais de cana-de-açúcar para que também possam produzir etanol a partir do milho.

O objetivo é particularmente interessante:

UTILIZAR O MILHO DURANTE A ENTRESSAFRA DA CANA.

Os investimentos estudados podem variar entre:

R$ 400 MILHÕES

e

R$ 1,2 BILHÃO POR USINA.

Em plantas maiores, o valor poderá inclusive ultrapassar esse intervalo.

Os primeiros estudos estão concentrados principalmente em São Paulo e em áreas próximas a Mato Grosso, onde existe uma combinação estratégica:

produção de cana;

produção de milho;

infraestrutura sucroenergética instalada.

A ideia parece simples.

Mas, se ganhar escala, pode representar uma mudança importante na estrutura da indústria brasileira de etanol.

O PROBLEMA COMEÇA COM UMA FÁBRICA QUE PASSA MESES SEM SUA PRINCIPAL MATÉRIA-PRIMA

A cana-de-açúcar possui um calendário agrícola.

Ela precisa:

crescer;

amadurecer;

ser colhida;

chegar rapidamente à indústria.

Isso cria uma operação industrial fortemente ligada ao período de safra.

Quando termina a moagem, parte da infraestrutura permanece subutilizada até o próximo ciclo.

Dependendo da região e da unidade, esse período pode durar vários meses.

E é justamente nesse intervalo que surge a pergunta:

E SE A INDÚSTRIA CONSEGUISSE PROCESSAR OUTRA MATÉRIA-PRIMA?

É aí que entra o milho.

O MILHO PODE SER ARMAZENADO

Essa é uma diferença fundamental entre as duas matérias-primas.

A cana precisa ser processada rapidamente depois de colhida.

O milho pode ser:

colhido;

seco;

armazenado;

transportado;

processado posteriormente.

Isso oferece flexibilidade operacional.

Uma usina flex pode trabalhar com cana durante determinado período e utilizar milho para complementar sua produção de etanol em outra parte do ano.

NÃO SIGNIFICA SIMPLESMENTE JOGAR MILHO DENTRO DE UMA USINA DE CANA

A adaptação é industrialmente complexa.

Cana e milho possuem processos diferentes.

No caso do milho, é necessário incorporar estruturas relacionadas a:

recebimento;

armazenagem;

moagem;

preparo;

liquefação;

sacarificação;

fermentação;

separação;

secagem de coprodutos.

Parte da infraestrutura existente pode ser aproveitada.

Outra parte precisa ser construída.

É justamente por isso que os investimentos podem chegar à casa do bilhão de reais.

A STONEX E OS PARCEIROS ESTÃO ANALISANDO CADA USINA INDIVIDUALMENTE

O modelo estudado possui três grandes etapas.

A primeira pergunta é:

EXISTE MILHO SUFICIENTE NA REGIÃO?

Não basta possuir uma usina.

É necessário garantir matéria-prima competitiva.

Isso envolve analisar:

produção regional;

preço;

frete;

sazonalidade;

estoques;

concorrência;

disponibilidade.

Depois vem a segunda pergunta:

A ESTRUTURA DA USINA PERMITE UMA ADAPTAÇÃO ECONOMICAMENTE VIÁVEL?

Cada planta possui:

layout;

equipamentos;

capacidade;

infraestrutura;

restrições próprias.

Finalmente:

COMO FINANCIAR O INVESTIMENTO?

Com projetos podendo superar R$ 1 bilhão, estruturação financeira passa a ser parte central da decisão.

E POR QUE ESSA DISCUSSÃO ESTÁ ACONTECENDO AGORA?

Porque o etanol de milho deixou de ser um nicho.

Virou uma indústria de grande escala.

A Conab projeta para a safra 2026/27 aproximadamente:

11,91 BILHÕES DE LITROS DE ETANOL DE MILHO.

O crescimento estimado em relação ao ciclo anterior é de:

17%.

Enquanto isso, a produção total brasileira de etanol — somando cana e milho — deverá alcançar aproximadamente:

41,88 BILHÕES DE LITROS.

Isso significa que o milho poderá representar cerca de:

28% DE TODO O ETANOL PRODUZIDO NO BRASIL.

Há poucos anos, essa participação era muito menor.

O MILHO ESTÁ MUDANDO A GEOGRAFIA DO ETANOL

Historicamente, quando se falava em etanol brasileiro, o mapa apontava principalmente para regiões canavieiras.

São Paulo.

Goiás.

Minas Gerais.

Paraná.

Alagoas.

Pernambuco.

Agora existe outro mapa crescendo sobre o primeiro.

O MAPA DO MILHO.

Mato Grosso.

Mato Grosso do Sul.

Goiás.

Maranhão.

Bahia.

E outras regiões produtoras.

Onde existe grande oferta de cereal, começa a existir possibilidade de produção de combustível.

O MODELO FLEX É O PONTO DE ENCONTRO DESSES DOIS MAPAS

Uma usina dedicada de milho nasce desenhada para processar milho.

Uma usina flex combina matérias-primas.

Isso permite que uma empresa tradicionalmente ligada à cana participe também da expansão do cereal.

O modelo já existe no Brasil.

Segundo dados apresentados pela StoneX a partir da indústria sucroenergética, 12 unidades flex já estão em operação, sendo dez no Centro-Sul e duas no Nordeste.

No ciclo 2025/26, essas unidades responderam por aproximadamente 1,8 bilhão a 2,2 bilhões de litros de etanol.

Ou seja:

não estamos falando apenas de uma possibilidade teórica.

A tecnologia já possui operação comercial.

O NOVO PROJETO QUER LEVAR ESSA LÓGICA A MAIS USINAS

E isso pode alterar uma questão econômica fundamental:

A UTILIZAÇÃO DO ATIVO INDUSTRIAL.

Imagine uma fábrica de centenas de milhões ou bilhões de reais.

Quanto mais meses ela permanece produzindo, maior pode ser o aproveitamento de:

equipamentos;

mão de obra;

energia;

infraestrutura;

capital investido.

Essa é uma das razões pelas quais a entressafra se torna oportunidade.

UMA USINA MAIS UTILIZADA PODE DILUIR CUSTOS FIXOS

Indústrias possuem despesas que não desaparecem simplesmente porque a produção diminuiu.

Estrutura administrativa.

Manutenção.

Segurança.

Depreciação.

Capital.

Parte da equipe.

Infraestrutura.

Quanto maior o aproveitamento anual dos ativos, maior a possibilidade de distribuir determinados custos por um volume maior de produção.

É uma lógica clássica de eficiência industrial.

MAS O MILHO PRECISA FECHAR A CONTA

Esse é o ponto decisivo.

Uma usina não será convertida apenas porque tecnicamente é possível.

O projeto precisa ser economicamente viável.

E o preço do milho é uma variável central.

Quanto mais caro o cereal na região, mais difícil pode ficar a margem do etanol.

Quanto mais abundante e competitivo, maior a atratividade.

Por isso a primeira etapa do projeto é justamente estudar disponibilidade e custo regional.

ISSO CRIA UMA NOVA COMPETIÇÃO PELO MILHO

O cereal já possui diversos compradores.

Exportadores.

Fábricas de ração.

Avicultura.

Suinocultura.

Bovinocultura.

Indústria alimentícia.

Amidos.

Etanol.

Quanto mais capacidade de etanol for instalada, maior pode se tornar a disputa pela matéria-prima em determinadas regiões.

PARA O PRODUTOR, ISSO SIGNIFICA MAIS UMA FONTE DE DEMANDA

Não significa preço alto garantido.

Mercado agrícola continua sujeito a:

safra;

estoques;

câmbio;

exportação;

frete;

demanda;

preços internacionais.

Mas estruturalmente existe uma mudança importante:

O MILHO GANHOU UM NOVO CONSUMIDOR INDUSTRIAL DE GRANDE ESCALA.

E esse consumidor não desaparece depois de uma safra.

Uma usina precisa comprar matéria-prima continuamente.

A EXPANSÃO DO ETANOL MUDA A FUNÇÃO DO MILHO BRASILEIRO

Antes, grande parte da discussão era:

“Quanto milho o Brasil consegue produzir?”

Agora existe outra:

“Quanto milho o Brasil consegue transformar?”

Essa diferença é enorme.

Exportar milho em grão é uma atividade.

Transformá-lo industrialmente gera outros produtos.

PORQUE UMA USINA DE ETANOL DE MILHO NÃO PRODUZ APENAS ETANOL

Ela também pode gerar coprodutos importantes.

Entre eles:

DDGS/DDG;

ÓLEO DE MILHO;

ENERGIA.

O DDGS possui particular relevância.

É utilizado na nutrição animal.

Portanto, uma indústria de etanol também pode abastecer cadeias de:

bovinos;

aves;

suínos.

O MILHO PODE ENTRAR COMO GRÃO E SAIR EM DIFERENTES CADEIAS

Essa é a lógica da biorrefinaria.

MILHO

↓

ETANOL

PROTEÍNA PARA NUTRIÇÃO ANIMAL

ÓLEO

ENERGIA

Quanto mais eficiente o aproveitamento da matéria-prima, mais robusta pode se tornar a economia industrial.

EXISTE AINDA UMA MUDANÇA IMPORTANTE NA DEMANDA BRASILEIRA POR ETANOL

Em julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou temporariamente a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de:

30% PARA 32%.

O chamado E32 possui vigência inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período.

A decisão aumenta a quantidade de etanol necessária para produzir gasolina comercializada no país.

MAIS ETANOL NA GASOLINA SIGNIFICA MAIS DEMANDA

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a elevação da mistura tem potencial para reduzir em aproximadamente:

900 MILHÕES DE LITROS POR ANO

a necessidade brasileira de gasolina importada.

Parte dessa substituição acontece porque o etanol ocupa uma parcela maior de cada litro de gasolina C vendido no país.

Isso cria um estímulo adicional para a indústria de biocombustíveis.

E O MILHO ESTÁ CRESCENDO JUSTAMENTE QUANDO ESSA DEMANDA AUMENTA

A combinação é estratégica:

mais produção de milho;

mais usinas;

mais capacidade industrial;

maior mistura;

mercado de baixo carbono;

novas aplicações para etanol.

É por isso que o setor começa a discutir investimentos bilionários.

E O QUE TUDO ISSO TEM A VER COM O MATOPIBA?

Muito.

Embora os projetos estudados agora estejam concentrados inicialmente em São Paulo e áreas próximas a Mato Grosso, a lógica econômica por trás deles possui conexão direta com a nossa região.

O MATOPIBA produz grandes volumes de:

MILHO.

E já começou a construir sua própria indústria de etanol de grãos.

O NORDESTE ESTÁ SE TORNANDO UMA NOVA FRONTEIRA DO ETANOL DE MILHO

Projeções da StoneX já vinham apontando forte expansão regional.

A produção de etanol de milho no Nordeste avançou rapidamente com a entrada de novas plantas.

Empreendimentos como os instalados em:

BALSAS, NO MARANHÃO;

e

LUÍS EDUARDO MAGALHÃES, NA BAHIA

mudaram a escala regional.

Outros projetos também aparecem no radar de estados próximos.

O NORDESTE PODE CHEGAR A CERCA DE 1,47 BILHÃO DE LITROS DE ETANOL DE MILHO EM 2026/27

Estimativas regionais compiladas a partir dos levantamentos da Conab apontavam justamente essa ordem de grandeza para a temporada.

É uma transformação extremamente rápida.

Em poucos ciclos, o etanol de milho passou de presença praticamente inexistente na região para uma indústria bilionária em capacidade.

O MATOPIBA POSSUI UMA CARACTERÍSTICA PARTICULARMENTE INTERESSANTE

Grande produção agrícola.

Mercados consumidores relativamente próximos no Nordeste.

Possibilidade de industrialização regional.

E longas distâncias até alguns mercados tradicionais para o milho.

Essa última característica é fundamental.

MILHO SOFRE MUITO COM FRETE

É uma commodity de grande volume e valor relativamente menor por tonelada quando comparada a produtos de maior valor agregado.

Transportá-lo por longas distâncias custa caro.

Quando existe uma indústria perto da produção, parte dessa desvantagem pode diminuir.

Em vez de transportar o grão milhares de quilômetros, existe a possibilidade de transformá-lo regionalmente.

INDUSTRIALIZAR MUDA O QUE SAI DA REGIÃO

Em vez de apenas milho:

etanol.

DDGS.

Óleo.

Energia.

Produtos com mercados diferentes.

Isso pode criar maior complexidade econômica.

E EXISTE UMA OUTRA POSSIBILIDADE QUE PRECISA SER OBSERVADA

Se o modelo flex avançar nacionalmente, regiões que combinam:

produção de milho;

produção de cana;

infraestrutura sucroenergética

podem começar a avaliar projetos semelhantes.

Não significa que toda usina do Nordeste ou do MATOPIBA será convertida.

Muito menos que exista hoje anúncio de adaptação de uma planta específica na região.

Mas a tecnologia cria uma nova possibilidade estratégica.

O MAIS IMPORTANTE É A MUDANÇA DE MENTALIDADE INDUSTRIAL

Antes:

“ESTA É UMA USINA DE CANA.”

Agora:

“ESTA É UMA PLATAFORMA DE PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL. QUAL MATÉRIA-PRIMA PODE UTILIZAR?”

Essa mudança parece semântica.

Não é.

Ela altera a forma como ativos industriais podem ser planejados.

O MESMO PODE ACONTECER COM OUTRAS INDÚSTRIAS DO AGRO

O futuro da agroindústria tende a valorizar flexibilidade.

Uma planta capaz de adaptar:

matérias-primas;

mix de produtos;

mercados;

energia;

coprodutos

possui mais opções diante de mudanças econômicas.

PARA O PRODUTOR, O SINAL É CLARO

O milho brasileiro está ganhando uma função estrutural nova.

Não é mais apenas:

ração;

exportação;

segunda safra.

Também está se tornando:

MATÉRIA-PRIMA ENERGÉTICA.

Isso altera decisões de longo prazo sobre:

armazenagem;

segunda safra;

logística;

contratos;

industrialização.

PARA AS REGIÕES PRODUTORAS, A PERGUNTA É AINDA MAIOR

Quanto do milho produzido deve sair como grão?

E quanto poderia ser transformado próximo da origem?

Essa discussão já chegou ao MATOPIBA.

A entrada de grandes biorrefinarias em Balsas e Luís Eduardo Magalhães é uma demonstração concreta.

EXISTE UM EFEITO SOBRE A PECUÁRIA

Quanto mais etanol de milho é produzido, maior também pode ser a oferta regional de coprodutos para nutrição animal.

Isso pode favorecer a integração entre:

AGRICULTURA + BIOENERGIA + PROTEÍNA ANIMAL.

Milho vira etanol.

O coproduto alimenta animais.

A cadeia ganha outro mercado.

Esse tipo de integração pode criar clusters agroindustriais.

EXISTE UM EFEITO SOBRE ARMAZENAGEM

Usinas precisam operar ao longo do ano.

Milho é colhido sazonalmente.

Alguém precisa conectar essas duas realidades.

SILOS.

Quanto maior a indústria de etanol de milho, maior tende a ser a importância estratégica da capacidade de armazenagem próxima às plantas.

EXISTE UM EFEITO SOBRE LOGÍSTICA

A indústria precisa receber milhões de toneladas.

Depois precisa distribuir:

etanol;

DDGS;

óleo;

outros produtos.

Isso demanda:

rodovias;

ferrovias;

terminais;

caminhões;

tanques;

armazéns.

Uma biorrefinaria não é apenas um investimento dentro de um terreno.

Ela reorganiza fluxos logísticos ao redor.

EXISTE UM EFEITO SOBRE ENERGIA

A indústria também precisa de energia e biomassa.

Dependendo da configuração, diferentes fontes podem ser utilizadas no processo.

Eficiência energética passa a influenciar diretamente competitividade e pegada ambiental.

E EXISTE UM EFEITO SOBRE CAPITAL

R$ 400 milhões.

R$ 800 milhões.

R$ 1,2 bilhão.

Projetos dessa escala precisam de:

financiamento;

garantias;

contratos;

projeções;

gestão de risco.

Por isso, a expansão do etanol de milho também abre espaço para:

bancos;

fundos;

mercado de capitais;

estruturadores financeiros.

MAS NÃO EXISTE GARANTIA DE QUE TODOS OS PROJETOS ESTUDADOS SERÃO CONSTRUÍDOS

Essa ressalva é essencial.

O que existe neste momento é uma estruturação de projetos.

Cada usina precisa passar por análises de:

matéria-prima;

viabilidade técnica;

CAPEX;

retorno;

financiamento;

mercado.

A própria StoneX indica que variáveis como payback ainda dependem dos estudos individuais.

Portanto:

R$ 1,2 BILHÃO É UMA ESTIMATIVA POSSÍVEL DE INVESTIMENTO POR PROJETO — NÃO UM INVESTIMENTO JÁ CONFIRMADO EM UMA USINA ESPECÍFICA.

MAS O FATO DE ESSES ESTUDOS EXISTIREM JÁ É UM SINAL

A indústria sucroenergética está olhando para o milho.

Não apenas empresas que nasceram no etanol de milho.

Também operadores tradicionais da cana.

Essa aproximação pode ser uma das transformações mais importantes do setor nos próximos anos.

O BRASIL PODE ESTAR CAMINHANDO PARA UMA INDÚSTRIA DE ETANOL MENOS DIVIDIDA POR MATÉRIA-PRIMA

Em vez de:

“etanol de cana”

contra

“etanol de milho”,

pode crescer uma estrutura onde diferentes matérias-primas convivem dentro de uma mesma plataforma industrial.

Isso oferece flexibilidade.

E FLEXIBILIDADE POSSUI VALOR EM UM MERCADO VOLÁTIL

Se açúcar está mais atrativo, parte da cana pode ser direcionada ao açúcar.

Se etanol está mais atrativo, o mix muda.

Se existe milho competitivo na entressafra, entra outra matéria-prima.

A indústria ganha mais alternativas.

É POR ISSO QUE ESTA PAUTA EXTERNA IMPORTA PARA O MATOPIBA

Os primeiros projetos estão fora da região.

Mas a tendência que representam já chegou aqui.

O MATOPIBA está se transformando de:

PRODUTOR DE MILHO

em

PRODUTOR + PROCESSADOR + FORNECEDOR DE ENERGIA.

Essa transição ainda está no começo.

Mas os números nacionais mostram a velocidade.

Quase 12 bilhões de litros de etanol de milho projetados para uma única safra.

Cerca de 28% de todo o etanol brasileiro.

Usinas flex já operando.

Novas biorrefinarias entrando em funcionamento.

E agora projetos de até R$ 1,2 bilhão para levar o milho para dentro de usinas tradicionalmente canavieiras.

O milho brasileiro está deixando de ser apenas uma commodity agrícola.

Está se tornando uma das principais matérias-primas da nova matriz de bioenergia do país.

E para uma região que está entre as grandes produtoras brasileiras do cereal, como o MATOPIBA, acompanhar essa transformação não é olhar para uma tendência distante.

É observar um mercado que pode mudar diretamente o valor, o destino e a industrialização de parte da produção regional nos próximos anos.

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Aroldo Junior

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