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DO AGRO AO DIGITAL | EPISÓDIO 07

A equipe comercial escuta diariamente aquilo que o cliente realmente quer saber: dúvidas, objeções, problemas, comparações e necessidades que dificilmente aparecem em um planejamento feito apenas dentro do escritório. Transformar essa inteligência em conteúdo pode fazer do vendedor uma das maiores fontes de autoridade digital de uma empresa do agro — sem exigir que ele vire influenciador.

DO AGRO AO DIGITAL — EPISÓDIO 07

Existe uma pessoa dentro da sua empresa que provavelmente sabe exatamente quais conteúdos deveriam estar sendo publicados.

E talvez ela nem faça parte do marketing.

É o vendedor.

Ele sabe qual pergunta o produtor faz antes de fechar negócio.

Sabe qual objeção aparece toda semana.

Sabe o que o concorrente está oferecendo.

Sabe qual problema está aumentando no campo.

Sabe por que alguns clientes compram.

E sabe por que outros desistem.

Mesmo assim, em muitas empresas do agronegócio, marketing e comercial ainda trabalham como departamentos separados.

E ISSO DESPERDIÇA UMA DAS MAIORES FONTES DE INTELIGÊNCIA DE CONTEÚDO DA EMPRESA.

MAS O VENDEDOR PRECISA VIRAR INFLUENCIADOR?

Não.

Esse é o primeiro ponto que precisamos esclarecer.

Transformar vendedores em agentes de autoridade não significa exigir que todos gravem stories diariamente, dancem diante da câmera ou construam uma carreira como criadores digitais.

Alguns profissionais terão facilidade diante das câmeras.

Outros não.

E tudo bem.

O objetivo não é transformar vendedores em influenciadores.

É TRANSFORMAR O CONHECIMENTO DELES EM COMUNICAÇÃO.

O VENDEDOR ESTÁ ONDE O MARKETING PRECISA ESTAR

Pense na rotina de um profissional comercial do agronegócio.

Ele visita propriedades.

Conversa com produtores.

Acompanha safras.

Participa de dias de campo.

Recebe mensagens no WhatsApp.

Escuta reclamações.

Apresenta soluções.

Negocia preços.

Responde dúvidas técnicas.

Observa concorrentes.

Percebe mudanças no comportamento dos clientes.

Tudo isso gera informação.

Enquanto isso, o marketing pode estar dentro do escritório tentando responder:

“O QUE VAMOS POSTAR ESTA SEMANA?”

A resposta provavelmente está na rua.

AS PERGUNTAS DOS CLIENTES SÃO PAUTAS

Existe um exercício extremamente simples que qualquer empresa do agro pode implementar.

Peça para cada vendedor registrar as cinco perguntas que mais recebeu dos clientes durante a semana.

Imagine uma empresa de irrigação.

As perguntas poderiam ser:

“Quanto um pivô realmente consome de energia?”

“Vale a pena reformar ou trocar?”

“Qual tamanho de pivô cabe na minha área?”

“Quanto tempo leva a instalação?”

“Como saber se meu sistema está perdendo eficiência?”

Você acabou de encontrar cinco conteúdos.

Agora imagine uma revenda de máquinas agrícolas:

“Quando vale a pena trocar o trator?”

“Quantas horas são consideradas altas?”

“Qual potência preciso para determinado implemento?”

“Peça paralela realmente compensa?”

“Por que meu consumo aumentou?”

Mais cinco conteúdos.

O princípio funciona para sementes, defensivos, fertilizantes, máquinas, irrigação, armazenagem, energia, seguros, consultorias e praticamente qualquer negócio B2B do agronegócio.

OBJEÇÕES TAMBÉM SÃO CONTEÚDO

Perguntas mostram interesse.

Objeções mostram barreiras.

E barreiras comerciais são excelentes pautas.

Se o vendedor escuta constantemente:

“Está caro.”

“Não sei se funciona na minha propriedade.”

“Já utilizo outra marca.”

“Não vejo necessidade de trocar agora.”

“Vou esperar a próxima safra.”

Existe informação valiosa escondida nessas frases.

O marketing pode produzir conteúdos que expliquem custo total, retorno, diferenças técnicas, riscos, aplicações, manutenção ou resultados.

Assim, parte da objeção começa a ser trabalhada antes da conversa comercial.

O MELHOR CONTEÚDO NÃO NASCE DE UMA TREND

Um erro recorrente no marketing empresarial é começar pelo formato.

“Precisamos fazer Reels.”

“Precisamos entrar nessa trend.”

“Precisamos publicar um carrossel.”

Mas formato deveria ser uma decisão posterior.

Primeiro vem a pergunta:

QUAL INFORMAÇÃO O NOSSO CLIENTE PRECISA RECEBER?

Depois decidimos se aquilo funciona melhor como vídeo, artigo, gráfico, fotografia, podcast, carrossel ou outro formato.

No agronegócio, relevância frequentemente vence entretenimento vazio.

Um vídeo simples respondendo uma dúvida real pode gerar muito mais valor comercial do que uma produção sofisticada sobre um assunto que não interessa ao comprador.

EXISTE OUTRA VANTAGEM: AUTORIDADE TEM ROSTO

Empresas possuem marcas.

Mas pessoas geram conexão.

Compare:

“Conheça nossas soluções para melhorar a produtividade.”

com:

“Durante as últimas visitas que fizemos às propriedades da região, encontramos três erros que estão reduzindo a eficiência desse equipamento.”

A segunda abordagem carrega experiência.

Existe alguém por trás da informação.

É exatamente aí que vendedores, consultores, engenheiros, agrônomos, técnicos e especialistas podem fortalecer a comunicação da empresa.

A MARCA GANHA ROSTO SEM PERDER PROFISSIONALISMO.

NEM TODO VENDEDOR PRECISA GRAVAR

Existem diferentes níveis de participação.

NÍVEL 1 — FONTE

O vendedor envia perguntas, situações e tendências percebidas no mercado.

O marketing transforma isso em conteúdo institucional.

NÍVEL 2 — ESPECIALISTA

O vendedor fornece explicações técnicas.

O marketing organiza, simplifica e publica.

NÍVEL 3 — PERSONAGEM

O profissional aparece em fotografias, vídeos ou entrevistas conduzidas pela equipe.

NÍVEL 4 — CRIADOR

Profissionais com maior habilidade de comunicação podem produzir conteúdos recorrentes em nome da empresa.

Não existe obrigação de colocar todos no nível quatro.

A estratégia precisa respeitar perfil, função e capacidade de cada pessoa.

“MAS MEU VENDEDOR NÃO SABE GRAVAR”

Ele não precisa saber.

O vendedor precisa saber aquilo que vende.

QUEM PRECISA SABER TRANSFORMAR ISSO EM CONTEÚDO É O MARKETING.

Uma equipe profissional pode entrevistar o vendedor durante dez minutos.

Perguntar:

“Qual problema você mais encontrou essa semana?”

“Qual dúvida os produtores mais fizeram?”

“O que você percebe que muita gente está fazendo errado?”

“Qual decisão pode gerar prejuízo?”

Dessas quatro respostas podem nascer diversos conteúdos.

O especialista entrega conhecimento.

O marketing entrega linguagem, roteiro, edição e distribuição.

NÃO ENTREGUE UM ROTEIRO ROBÓTICO

Existe outro problema.

Algumas empresas pegam um profissional extremamente competente e entregam um texto enorme para ele decorar.

O resultado costuma ser artificial.

A pessoa passa mais tempo tentando lembrar palavras do que explicando aquilo que domina.

Quando possível, trabalhe com tópicos.

Faça perguntas.

Deixe o profissional explicar como explicaria para um cliente.

Depois, a comunicação organiza.

AUTORIDADE PRECISA PARECER CONHECIMENTO — NÃO DECORAÇÃO.

O WHATSAPP DO VENDEDOR TAMBÉM É UM CANAL

Conteúdo não precisa viver somente no Instagram da empresa.

Imagine que um vendedor conversa com um potencial cliente sobre determinada solução.

Em vez de explicar tudo novamente, ele pode enviar:

“Gravamos um vídeo mostrando exatamente essa situação.”

Ou:

“Temos um artigo comparando essas duas alternativas. Vou mandar.”

Ou ainda:

“Veja esse caso que atendemos recentemente.”

Nesse momento, o conteúdo deixa de ser apenas mídia.

VIRA FERRAMENTA COMERCIAL.

Um bom acervo de conteúdo permite que o vendedor tenha materiais para diferentes momentos da negociação.

MARKETING E VENDAS PRECISAM COMPARTILHAR INFORMAÇÃO

Uma rotina simples pode transformar essa relação.

Toda semana ou quinzena, marketing pergunta ao comercial:

Quais foram as dúvidas mais frequentes?

Quais objeções apareceram?

Que produtos despertaram mais interesse?

Que problemas os clientes estão relatando?

Que assunto apareceu nas visitas?

Que movimento dos concorrentes chamou atenção?

Que caso interessante aconteceu?

Depois, o marketing transforma as respostas em pauta.

No encontro seguinte, apresenta o que foi produzido e coleta novas informações.

Isso cria um ciclo:

CAMPO → COMERCIAL → MARKETING → CONTEÚDO → CLIENTE → COMERCIAL.

A comunicação deixa de trabalhar isolada.

EXISTE UM BENEFÍCIO QUE VAI ALÉM DO MARKETING

Quando uma empresa organiza esse conhecimento, ela começa a construir uma biblioteca comercial.

Perguntas frequentes.

Respostas técnicas.

Casos.

Comparações.

Objeções.

Demonstrações.

Resultados.

Esse material pode servir para treinar novos vendedores, padronizar argumentos e preservar conhecimento que antes ficava somente na cabeça de algumas pessoas.

O conteúdo passa a ser também um ativo interno.

O VENDEDOR TAMBÉM PRECISA ENTENDER SUA RESPONSABILIDADE DIGITAL

Existe, porém, uma questão importante.

Quando um profissional aparece representando uma empresa, sua comunicação passa a afetar a percepção da marca.

Por isso, participação digital precisa ter orientação.

É recomendável estabelecer critérios sobre:

Informações confidenciais.

Dados de clientes.

Promessas comerciais.

Posicionamentos técnicos.

Uso da marca.

Imagens dentro de propriedades.

Resultados que podem ou não ser divulgados.

O objetivo não é engessar.

É proteger empresa, profissional e cliente.

O CONTEÚDO NÃO SUBSTITUI A COMPETÊNCIA COMERCIAL

Também não adianta transformar todos os vendedores em produtores de conteúdo e abandonar fundamentos básicos.

Prospecção continua importante.

Relacionamento continua importante.

Follow-up continua importante.

Conhecimento técnico continua importante.

Negociação continua importante.

Pós-venda continua importante.

Conteúdo é uma ferramenta adicional.

Quando bem utilizado, ele pode ampliar autoridade e abrir portas.

Mas não substitui uma operação comercial competente.

QUEM CONHECE O CLIENTE PRECISA PARTICIPAR DA COMUNICAÇÃO

Esse talvez seja o principal ensinamento deste episódio.

Marketing não deveria decidir sozinho tudo que uma empresa fala.

Principalmente no agronegócio.

Quem está no campo possui informações que nenhum relatório de redes sociais consegue reproduzir integralmente.

O vendedor escuta a linguagem real do cliente.

Conhece suas preocupações.

Percebe mudanças antes que elas apareçam nas planilhas.

Identifica dúvidas.

Encontra objeções.

Descobre oportunidades.

Por isso, talvez a pergunta correta não seja:

“MEU VENDEDOR DEVERIA VIRAR PRODUTOR DE CONTEÚDO?”

A pergunta deveria ser:

“POR QUE O CONHECIMENTO DO MEU TIME COMERCIAL AINDA NÃO ESTÁ ALIMENTANDO NOSSA ESTRATÉGIA DE CONTEÚDO?”

A empresa que conecta campo, vendas e marketing começa a construir uma comunicação muito mais difícil de copiar.

Porque ela não nasce de ideias genéricas encontradas na internet.

ELA NASCE DAS CONVERSAS QUE ESTÃO ACONTECENDO TODOS OS DIAS COM O MERCADO.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO:

SE TODO MUNDO DO AGRO VENDE “QUALIDADE E CONFIANÇA”, COMO SUA MARCA VAI SER LEMBRADA?

No EP. 08, vamos entrar em posicionamento de marca no agronegócio e mostrar por que repetir as mesmas promessas do concorrente pode tornar empresas completamente diferentes praticamente iguais aos olhos do cliente.

Uma parceria entre MATOPIBA NEWS + O Matopiba Marketing, levando estratégia, marketing e transformação digital para as empresas que movimentam o agronegócio.

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Aroldo Junior

Writer & Blogger

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