Operação foi autorizada sem restrições e envolve duas usinas paulistas com capacidade conjunta para processar cerca de 7 milhões de toneladas de cana por safra. Com os novos ativos, a COFCO deve elevar sua capacidade de moagem no Brasil para aproximadamente 25,5 milhões de toneladas e reforçar sua presença em açúcar, etanol e bioenergia.
Uma das maiores empresas agrícolas da China acaba de receber sinal verde para ampliar significativamente sua presença no setor sucroenergético brasileiro.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Cade — aprovou sem restrições a aquisição, pela COFCO International, do controle da Viterra Bioenergia S.A., empresa que reúne duas usinas de cana-de-açúcar no estado de São Paulo que estavam sob controle da Bunge.
A decisão da Superintendência-Geral do Cade consta do Despacho nº 1.263/2026, assinado em 25 de setembro e publicado no dia 28.
O processo tramita como Ato de Concentração nº 08700.008900/2026-67.
A operação envolve duas unidades:
Usina Rio Vermelho — Junqueirópolis (SP);
Usina Nova Unialco — Guararapes (SP).
Juntas, possuem capacidade para processar aproximadamente:
7 MILHÕES DE TONELADAS DE CANA-DE-AÇÚCAR POR SAFRA.
A aquisição representa um avanço relevante da COFCO em um dos maiores mercados de açúcar e biocombustíveis do planeta e, ao mesmo tempo, encerra uma passagem relativamente curta desses dois ativos pelo portfólio da Bunge.
AS USINAS CHEGARAM À BUNGE ATRAVÉS DA VITERRA
Esse detalhe é fundamental para entender a operação.
A Bunge não havia construído ou adquirido diretamente essas duas unidades como parte de uma nova expansão própria no setor sucroenergético.
Rio Vermelho e Nova Unialco pertenciam anteriormente à Viterra.
Quando Bunge e Viterra concluíram sua combinação global de negócios, em julho de 2025, os ativos passaram a integrar o novo portfólio da Bunge.
Pouco mais de um ano depois, a companhia decidiu vendê-los.
Em 1º de setembro de 2026, a própria Bunge anunciou oficialmente que havia firmado acordo para transferir as duas unidades para a COFCO International.
O valor financeiro da transação não foi divulgado.
Naquele momento, porém, o fechamento ainda dependia do cumprimento de condições habituais, entre elas as aprovações regulatórias.
Agora, uma das principais barreiras foi superada:
O CADE APROVOU A OPERAÇÃO SEM IMPOR RESTRIÇÕES.
POR QUE O CADE NÃO IDENTIFICOU PROBLEMA CONCORRENCIAL?
Antes de grandes fusões e aquisições serem concluídas, o Cade analisa se a concentração empresarial pode reduzir significativamente a concorrência.
A preocupação é simples.
Imagine que uma empresa compre concorrentes suficientes para controlar grande parte de determinado mercado.
Ela poderia, dependendo das circunstâncias:
reduzir competição;
dificultar a entrada de rivais;
controlar oferta;
influenciar preços;
fechar acesso a insumos ou canais importantes.
Por isso, o tamanho das empresas após a operação precisa ser analisado.
No caso da aquisição das usinas pela COFCO, a Superintendência-Geral concluiu que esse risco não justificava restrições.
AS PARTICIPAÇÕES FICARAM ABAIXO DOS LIMITES CONSIDERADOS PREOCUPANTES NA ANÁLISE
Segundo a decisão reportada a partir do despacho do Cade, as participações combinadas das empresas nos mercados brasileiros de:
AÇÚCAR
e
ETANOL
permanecem abaixo de 20%.
Na avaliação da Superintendência-Geral, portanto, a operação não resulta em posição dominante nesses mercados.
O Cade também avaliou relações verticais.
Isso acontece quando empresas atuam em diferentes etapas de uma mesma cadeia.
Nesse caso, as participações não alcançaram 30% nos mercados verticalmente relacionados analisados pela autoridade concorrencial.
A conclusão foi de que a operação não teria capacidade suficiente para provocar fechamento relevante de mercado.
NA PRÁTICA, A COFCO FICA MAIOR NO SETOR SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO
Antes do negócio, a COFCO International já possuía quatro usinas no estado de São Paulo:
Catanduva;
Potirendaba;
Meridiano;
Sebastianópolis do Sul.
Também possui terminal de transbordo em Votuporanga.
Com Rio Vermelho e Nova Unialco, a companhia deverá passar de:
4 PARA 6 USINAS NO BRASIL.
Mas a mudança de escala aparece de maneira ainda mais clara quando observamos a capacidade de moagem.
Antes da aquisição, a capacidade informada da COFCO estava em aproximadamente:
18,5 MILHÕES DE TONELADAS DE CANA POR SAFRA.
Com os novos ativos, deverá chegar a aproximadamente:
25,5 MILHÕES DE TONELADAS.
Isso representa um crescimento potencial de quase:
38% NA CAPACIDADE INSTALADA DE MOAGEM.
É um salto relevante para uma única aquisição.
7 MILHÕES DE TONELADAS NÃO É UM VOLUME PEQUENO
Para colocar a operação em perspectiva:
as duas usinas adicionam aproximadamente 7 milhões de toneladas de capacidade anual.
Isso equivale a quase 27,5% da capacidade total que a COFCO deverá possuir após a incorporação dos ativos.
Ou seja:
mais de um quarto da nova capacidade brasileira da companhia estará concentrada justamente nas duas unidades adquiridas da Bunge.
E ESSA ESCALA POSSUI CONSEQUÊNCIAS OPERACIONAIS
Uma usina sucroenergética não movimenta apenas cana.
Existe uma cadeia econômica ao redor.
Produtores.
Fornecedores.
Máquinas.
Colheita.
Transporte.
Manutenção.
Energia.
Fertilizantes.
Serviços.
Tecnologia.
Logística.
Açúcar.
Etanol.
Cogeração.
Uma expansão de capacidade dessa magnitude aumenta a importância da COFCO dentro do ecossistema sucroenergético paulista.
MAS QUEM É A COFCO?
A COFCO International é a plataforma internacional de agronegócios da COFCO Corporation, um dos maiores grupos de alimentos e agricultura da China.
A companhia informa possuir aproximadamente:
12 MIL COLABORADORES
distribuídos por:
36 PAÍSES.
Em 2024, movimentou mais de 108 milhões de toneladas de commodities relacionadas ao agronegócio, com receita de aproximadamente US$ 38,5 bilhões.
Sua estratégia global é construir uma cadeia agrícola integrada, com forte conexão entre originação, logística, processamento, comercialização e o mercado chinês.
E O BRASIL É ESTRATÉGICO NESSA EQUAÇÃO
Existe uma razão óbvia.
O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores agrícolas do planeta.
Soja.
Milho.
Açúcar.
Café.
Carnes.
Algodão.
Etanol.
Ao mesmo tempo, a China está entre os maiores consumidores e importadores mundiais de commodities agrícolas.
A presença direta de uma empresa chinesa na origem reduz a distância empresarial entre:
PRODUÇÃO BRASILEIRA
e
DEMANDA ASIÁTICA.
A COFCO não precisa atuar apenas como compradora no destino.
Ela pode participar diretamente da cadeia dentro do país produtor.
ESSA É UMA MUDANÇA IMPORTANTE NO COMÉRCIO GLOBAL DE COMMODITIES
Historicamente, grande parte da intermediação agrícola mundial ficou concentrada em grandes tradings ocidentais.
Empresas como:
ADM;
Bunge;
Cargill;
Louis Dreyfus Company.
Nas últimas décadas, porém, a COFCO passou a construir uma presença internacional muito mais relevante.
A lógica chinesa deixou de ser apenas:
comprar commodities.
Passou também a envolver:
participar da infraestrutura que origina, processa e movimenta essas commodities.
E AS DUAS NOVAS USINAS REFORÇAM ESSA ESTRATÉGIA
Cana-de-açúcar pode gerar diferentes produtos.
Principalmente:
açúcar;
etanol;
bioenergia.
Isso torna o setor particularmente interessante em um cenário no qual três mercados estão cada vez mais conectados:
ALIMENTOS + ENERGIA + DESCARBONIZAÇÃO.
Uma usina pode ajustar parte de seu mix produtivo conforme:
preço do açúcar;
preço do etanol;
demanda doméstica;
mercado internacional;
condições cambiais.
Essa flexibilidade possui valor estratégico.
AÇÚCAR CONECTA A USINA AO MERCADO GLOBAL
O Brasil possui enorme importância no comércio internacional de açúcar.
Isso significa que uma empresa global com:
rede comercial;
logística internacional;
acesso a mercados;
capacidade financeira
pode integrar diretamente a produção brasileira à sua plataforma mundial.
Para a COFCO, que possui conexão natural com o mercado asiático, essa integração ganha ainda mais importância.
ETANOL CONECTA A OPERAÇÃO AO MERCADO DE ENERGIA
A segunda grande frente é o biocombustível.
Etanol não compete apenas dentro do mercado agrícola.
Ele participa do mercado energético.
Seu desempenho econômico é influenciado por variáveis como:
preço da gasolina;
tributação;
política de combustíveis;
consumo;
estoques;
produção;
preço da cana.
Portanto, uma usina sucroenergética opera em um ambiente muito mais complexo do que simplesmente transformar cana em açúcar.
E EXISTE AINDA A BIOELETRICIDADE
O bagaço da cana pode ser utilizado para geração de energia.
Assim, uma mesma matéria-prima agrícola pode produzir:
açúcar;
etanol;
eletricidade.
É uma das razões pelas quais o setor sucroenergético brasileiro possui relevância estratégica dentro da transição energética.
PARA A BUNGE, A OPERAÇÃO REPRESENTA O MOVIMENTO CONTRÁRIO
Enquanto a COFCO aumenta sua exposição ao setor, a Bunge reduz a sua.
A companhia afirmou oficialmente que a venda está alinhada à estratégia de concentrar recursos em suas prioridades e posicionar o negócio para crescimento de longo prazo.
Isso precisa ser entendido dentro de um processo maior.
A Bunge já havia realizado um grande movimento de saída do setor sucroenergético brasileiro antes mesmo de receber os ativos da Viterra.
EM 2024, A EMPRESA VENDEU SUA PARTICIPAÇÃO NA BP BUNGE BIOENERGIA
A Bunge possuía uma joint venture com a BP voltada ao setor de açúcar e bioenergia.
Em 2024, vendeu sua participação de 50% para a própria BP.
A petrolífera passou, então, a controlar integralmente a operação.
A chegada posterior das duas usinas da Viterra colocou novamente ativos sucroenergéticos diretamente dentro do portfólio da Bunge.
Agora, a venda para a COFCO retoma o movimento de saída.

ISSO MOSTRA DUAS ESTRATÉGIAS DIFERENTES
BUNGE:
concentração em prioridades como originação, processamento de oleaginosas, armazenamento, comercialização e cadeias consideradas centrais para sua estratégia.
COFCO:
expansão da plataforma sucroenergética brasileira e aumento da escala industrial.
Nenhuma das duas decisões precisa ser interpretada isoladamente como sinal de que um setor é “bom” ou “ruim”.
Grandes empresas possuem estratégias diferentes.
UM ATIVO PODE SER NÃO ESTRATÉGICO PARA UMA EMPRESA E ALTAMENTE ESTRATÉGICO PARA OUTRA
Esse princípio explica muitas fusões e aquisições.
A Bunge recebeu as usinas através da combinação com a Viterra.
Mas elas não necessariamente faziam parte do núcleo que a companhia desejava desenvolver no longo prazo.
A COFCO, por outro lado, já possui quatro usinas relativamente próximas no estado de São Paulo.
Para ela, incorporar mais duas unidades pode criar:
escala;
sinergias;
diversificação;
eficiência operacional;
maior capacidade comercial.
É uma lógica completamente diferente.
A PROXIMIDADE GEOGRÁFICA IMPORTA
As operações existentes da COFCO estão concentradas em São Paulo.
As novas usinas também estão no estado.
Isso facilita a formação de uma plataforma regional.
Empresas com múltiplas unidades próximas podem compartilhar ou otimizar diferentes recursos:
equipes;
compras;
logística;
manutenção;
comercialização;
gestão agrícola;
tecnologia;
estoques.
Não significa que todas essas sinergias serão automaticamente capturadas.
Mas cria a possibilidade.
A COFCO DESTACOU JUSTAMENTE ESSA INTEGRAÇÃO
No anúncio da operação, a companhia indicou que os novos ativos poderiam aumentar eficiência operacional, diversificação e resiliência quando combinados à plataforma que já mantém no Brasil.
É uma palavra importante:
RESILIÊNCIA.
Na agricultura, ativos espalhados geograficamente podem responder de maneira diferente a:
seca;
chuvas;
geadas;
incêndios;
produtividade agrícola;
disponibilidade de cana.
Mesmo dentro de um único estado, condições agrícolas variam.
E POR QUE ESSA PAUTA INTERESSA AO MATOPIBA SE AS USINAS ESTÃO EM SÃO PAULO?
Porque o negócio não deve ser interpretado apenas como uma história sobre duas usinas paulistas.
Ele faz parte de um movimento maior de reposicionamento das grandes tradings globais no agronegócio brasileiro.
E essas mesmas companhias possuem presença relevante nas cadeias que atravessam o MATOPIBA.
Bunge e COFCO atuam em mercados ligados a:
originação de grãos;
armazenagem;
logística;
exportação;
processamento;
insumos;
cadeias internacionais.
Quando gigantes desse porte modificam suas estratégias no Brasil, os movimentos ajudam a revelar para onde o capital global está olhando.
A PRIMEIRA LIÇÃO É A VERTICALIZAÇÃO
A COFCO não quer ser apenas uma compradora internacional de produtos agrícolas brasileiros.
Ela busca participação em diferentes etapas.
Originação.
Processamento.
Logística.
Trading.
Indústria.
Essa mesma lógica aparece em outras cadeias do agronegócio.
NO MATOPIBA, ISSO JÁ ESTÁ ACONTECENDO
O desenvolvimento regional começa a avançar de uma economia baseada predominantemente na produção de matéria-prima para estruturas cada vez mais complexas.
Armazéns.
Ferrovias.
Terminais.
Indústrias.
Processamento de soja.
Proteína animal.
Biocombustíveis.
Energia.
A pergunta deixa de ser apenas:
“QUANTO O MATOPIBA PRODUZ?”
e passa a ser:
“QUANTO DESSA PRODUÇÃO CONSEGUE SER TRANSFORMADA ANTES DE DEIXAR A REGIÃO?”
A SEGUNDA LIÇÃO É A DISPUTA GLOBAL POR ORIGINAÇÃO
A China é um dos principais destinos de commodities agrícolas brasileiras.
Quando uma companhia ligada ao maior grupo agrícola e alimentar chinês aumenta seus ativos dentro do Brasil, existe uma estratégia de aproximação entre origem e destino.
Esse movimento não acontece apenas no açúcar.
Também está relacionado a:
grãos;
oleaginosas;
logística;
comércio internacional.
Para regiões exportadoras como o MATOPIBA, acompanhar essa movimentação é fundamental.
A TERCEIRA LIÇÃO É QUE BIOENERGIA ESTÁ GANHANDO PESO ESTRATÉGICO
Agricultura e energia estão cada vez mais conectadas.
Etanol.
Biodiesel.
Biometano.
Bioeletricidade.
Combustível sustentável de aviação.
Biomassa.
O campo não produz apenas alimentos e fibras.
Está se tornando fornecedor crescente de moléculas e energia.
ISSO PODE ABRIR NOVAS FRENTES TAMBÉM FORA DO CINTURÃO TRADICIONAL DA CANA
O MATOPIBA possui uma realidade agrícola diferente da paulista.
Soja.
Milho.
Algodão.
Grandes áreas de Cerrado.
Mas a lógica de bioenergia também começa a ganhar relevância.
Etanol de milho.
Biodiesel.
Biogás.
Biometano.
Biomassa.
Projetos de energia renovável.
Portanto, acompanhar o que grandes grupos fazem no setor sucroenergético ajuda a entender tendências de capital que podem chegar a outras cadeias.
A APROVAÇÃO DO CADE NÃO SIGNIFICA QUE A TRANSFERÊNCIA ESTÁ AUTOMATICAMENTE CONCLUÍDA
Esse cuidado é importante.
O aval concorrencial elimina uma das principais condições regulatórias.
Mas o acordo anunciado pelas empresas prevê outras condições habituais para o fechamento da transação.
Portanto, a formulação tecnicamente mais correta neste momento é:
O CADE APROVOU A AQUISIÇÃO SEM RESTRIÇÕES.
Não é necessário interpretar isso como confirmação de que todas as etapas societárias e operacionais do fechamento já foram concluídas.
E O VALOR DA COMPRA CONTINUA DESCONHECIDO
Nem Bunge nem COFCO divulgaram publicamente quanto será pago pelas duas unidades.
Portanto, qualquer valor atribuído à transação sem documentação adicional deve ser tratado com cautela.
O que sabemos é:
duas usinas;
aproximadamente 7 milhões de toneladas de capacidade combinada;
aprovação sem restrições pelo Cade;
expansão da COFCO de quatro para seis unidades;
e capacidade brasileira projetada em aproximadamente 25,5 milhões de toneladas por safra.
O NEGÓCIO É MAIS UM CAPÍTULO DA CONSOLIDAÇÃO DO AGRO BRASILEIRO
Grandes grupos estão constantemente revisando portfólios.
Alguns vendem.
Outros compram.
Capital migra.
Ativos mudam de controle.
Empresas aumentam escala.
Outras concentram esforços.
No caso desta operação, a mensagem estratégica é particularmente clara.
A BUNGE ESTÁ SAINDO DESSES ATIVOS.
A COFCO ESTÁ AUMENTANDO SUA ESCALA.
Uma trading global reduz sua exposição direta ao setor sucroenergético brasileiro enquanto outra amplia significativamente sua capacidade.
PARA A COFCO, O BRASIL FICA AINDA MAIS IMPORTANTE
A aquisição não transforma apenas o tamanho da operação.
Ela reforça a presença física de uma empresa chinesa dentro de uma das cadeias agroindustriais mais sofisticadas do Brasil.
Se a capacidade projetada de 25,5 milhões de toneladas for plenamente integrada, a companhia passa a operar uma plataforma industrial de escala muito maior.
Isso aumenta sua exposição ao:
açúcar;
etanol;
energia;
mercado agrícola brasileiro.
E O MOVIMENTO MERECE SER OBSERVADO PELO MATOPIBA
Não porque essas duas usinas estejam dentro da região.
Elas não estão.
Mas porque a empresa que está comprando os ativos é parte de uma transformação maior na geografia do capital agrícola mundial.
O Brasil produz.
A China consome.
E empresas chinesas estão cada vez mais interessadas em participar da infraestrutura existente entre esses dois pontos.
O MATOPIBA está justamente no centro de algumas das cadeias agrícolas brasileiras com maior exposição a essa relação comercial.
Por isso, a aprovação das duas usinas pelo Cade é uma notícia externa com uma mensagem regional importante:
O CAPITAL GLOBAL NÃO ESTÁ DISPUTANDO APENAS A PRODUÇÃO AGRÍCOLA BRASILEIRA.
Está disputando também:
processamento;
logística;
indústria;
energia;
e acesso direto às cadeias que levam a produção do campo até o consumidor mundial.
A aquisição das usinas Rio Vermelho e Nova Unialco é mais um movimento dentro dessa disputa.
E, desta vez, quem aumenta sua posição no tabuleiro brasileiro é uma gigante chinesa.
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