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Estudo de 50 anos inclui Barreiras e revela como El Niño pode mudar o risco da soja no MATOPIBA

Pesquisa da Embrapa analisou dados climáticos de 1975 a 2024 e mostra que o impacto do El Niño sobre a soja não depende apenas do fenômeno: época de semeadura e manejo do solo podem ampliar ou reduzir a vulnerabilidade. Barreiras, no Oeste da Bahia, foi um dos quatro polos agrícolas utilizados nas simulações.

Quando um El Niño se estabelece, uma das primeiras perguntas feitas pelo produtor é:

quanto esse fenômeno pode afetar minha produtividade?

Uma nova pesquisa conduzida com participação da Embrapa mostra que talvez exista uma pergunta ainda mais importante:

quanto das consequências do El Niño pode depender das decisões tomadas dentro da própria fazenda?

Um estudo divulgado pela Embrapa em 25 de setembro analisou cinco décadas de informações climáticas para entender como diferentes fases do El Niño–Oscilação Sul, o ENOS, interferem na produtividade da soja no Cerrado.

E existe um detalhe especialmente relevante para o MATOPIBA:

BARREIRAS, NO OESTE DA BAHIA, FOI UMA DAS REGIÕES ESTUDADAS.

Além de Barreiras, a pesquisa avaliou:

Planaltina, no Distrito Federal;

Rio Verde, em Goiás;

Cuiabá, em Mato Grosso.

Foram analisados dados climáticos entre 1975 e 2024.

São aproximadamente 50 anos de histórico climático utilizados para investigar como a soja responde a diferentes combinações de clima, época de semeadura e manejo.

E os resultados reforçam uma ideia que ganha importância diante da safra 2026/27:

El Niño não deve ser tratado isoladamente.

Seu impacto pode mudar conforme a data em que a soja é implantada e conforme a capacidade do sistema produtivo de conservar água no solo.

O ESTUDO NÃO SIMPLESMENTE COMPAROU SAFRAS

Os pesquisadores utilizaram modelagem agrícola.

A cultivar avaliada foi a BRS 8383IPRO, material adaptado às condições do Cerrado do Centro-Norte e utilizado inclusive no Oeste da Bahia.

Para realizar as simulações, foi empregado o modelo computacional STICS — Simulateur mulTIdisciplinaire pour les Cultures Standard.

Em vez de simplesmente observar se determinada safra produziu mais ou menos, o modelo permite combinar informações relacionadas a:

clima;

solo;

cultivar;

data de semeadura;

manejo.

A partir daí, é possível simular como a cultura teria se comportado sob diferentes condições históricas.

Essa metodologia permite separar melhor os fatores envolvidos no risco produtivo.

50 ANOS DE CLIMA FORAM COLOCADOS NA EQUAÇÃO

O período analisado foi de 1975 a 2024.

Durante essas cinco décadas ocorreram diferentes fases do fenômeno ENOS.

Anos de:

El Niño;

La Niña;

neutralidade;

transições entre fases.

Os pesquisadores utilizaram dados climáticos diários para representar essas diferentes situações.

Isso é importante porque analisar apenas um El Niño específico poderia gerar conclusões excessivamente dependentes daquele evento.

Quando dezenas de anos entram na análise, começa a aparecer um padrão estatístico mais robusto.

E O PADRÃO ENCONTRADO MERECE ATENÇÃO

As simulações identificaram perdas expressivas de produtividade em anos de El Niño.

Mas existe um detalhe fundamental:

A INTENSIDADE DA PERDA MUDAVA CONFORME A ÉPOCA DE SEMEADURA.

As maiores vulnerabilidades apareceram quando a implantação da soja ocorreu no início da janela, especialmente em setembro e outubro, período em que o regime de chuvas ainda pode apresentar maior instabilidade em partes do Cerrado.

Isso significa que antecipar a semeadura pode produzir resultados muito diferentes dependendo da condição climática daquele ano.

O CALENDÁRIO SOZINHO NÃO É SUFICIENTE

Esse talvez seja um dos resultados mais úteis para o produtor.

Existe diferença entre:

estar autorizado a plantar

e

existirem condições agronômicas adequadas para plantar.

Uma determinada data pode estar dentro da janela agrícola.

Mas isso não significa automaticamente que o perfil do solo possui água suficiente para sustentar:

germinação;

emergência;

estabelecimento;

crescimento inicial.

Em anos de maior irregularidade climática, essa diferença se torna ainda mais importante.

A PRIMEIRA CHUVA PODE CRIAR UMA ARMADILHA

Imagine que uma propriedade receba uma precipitação suficiente para umedecer os primeiros centímetros do solo.

As máquinas entram.

A soja é semeada.

A semente absorve água.

A germinação começa.

Depois disso, a chuva desaparece durante vários dias e as temperaturas permanecem elevadas.

A lavoura pode entrar em estresse justamente durante uma das fases mais delicadas do estabelecimento.

Esse é o chamado risco de uma falsa largada da estação chuvosa.

A chuva suficiente para estimular o plantio não necessariamente representa chuva suficiente para sustentar a cultura.

E ISSO TEM RELAÇÃO DIRETA COM O EL NIÑO

El Niño modifica padrões atmosféricos em grande escala.

Mas seu impacto agrícola não acontece simplesmente porque existe um fenômeno no Pacífico.

O prejuízo ocorre quando a alteração climática coincide com uma fase vulnerável da cultura.

Por exemplo:

chuva irregular durante a implantação;

déficit hídrico durante florescimento;

calor associado à baixa disponibilidade de água;

veranico durante enchimento de grãos.

É essa combinação que transforma fenômeno climático em perda produtiva.

A PESQUISA MOSTRA QUE A DATA DE SEMEADURA PODE ALTERAR ESSA EXPOSIÇÃO

Isso não significa que exista uma única data perfeita para todos os anos.

Muito pelo contrário.

Uma das principais mensagens da pesquisa é justamente que o risco muda.

A melhor decisão depende da interação entre:

clima;

solo;

cultivar;

época;

manejo.

Portanto, utilizar somente uma data fixa baseada no que funcionou em anos anteriores pode ser insuficiente.

BARREIRAS TORNA O ESTUDO PARTICULARMENTE IMPORTANTE PARA O MATOPIBA

Muitas pesquisas agrícolas realizadas no Brasil são relevantes para o Cerrado, mas utilizam dados de regiões relativamente distantes do MATOPIBA.

Neste caso, um dos quatro ambientes simulados está localizado diretamente no Oeste da Bahia.

Barreiras faz parte de uma das regiões agrícolas mais tecnificadas do país e está inserida no mesmo ambiente produtivo que inclui municípios como:

Luís Eduardo Magalhães;

São Desidério;

Correntina;

Formosa do Rio Preto;

Riachão das Neves;

entre outros polos do Oeste baiano.

Isso não significa que o resultado de Barreiras possa ser automaticamente aplicado a cada fazenda desses municípios.

Solo, altitude, chuva e manejo variam.

Mas aumenta significativamente a relevância regional da pesquisa.

E A CULTIVAR ESTUDADA TAMBÉM POSSUI CONEXÃO COM A REGIÃO

A BRS 8383IPRO apresenta ampla adaptação ao Cerrado do Centro-Norte.

A própria Embrapa destaca sua utilização nas macrorregiões sojícolas 3 e 4.

No Oeste da Bahia, o grupo de maturidade 8.3 permanece importante para o sistema produtivo regional.

A cultivar possui ciclo médio informado entre aproximadamente 120 e 134 dias, crescimento indeterminado e características de resistência a doenças e nematoides importantes para determinadas áreas.

Portanto, a pesquisa não trabalhou com um material completamente desconectado da realidade agrícola do MATOPIBA.

MAS EXISTE OUTRA DESCOBERTA FUNDAMENTAL

O impacto climático não dependeu apenas da época.

O MANEJO DO SOLO TAMBÉM ALTEROU A VULNERABILIDADE.

As simulações compararam situações envolvendo sistema convencional e plantio direto.

E os resultados indicaram maior vulnerabilidade quando utilizado o preparo convencional do solo.

Isso possui enorme importância.

Porque o produtor não controla o El Niño.

Mas controla, pelo menos parcialmente, a maneira como prepara e conserva seu solo.

ESSA É A DIFERENÇA ENTRE PERIGO E RISCO

O El Niño é um fenômeno climático.

A fazenda não consegue desligá-lo.

Mas o risco agrícola surge da combinação entre:

PERIGO CLIMÁTICO + EXPOSIÇÃO + VULNERABILIDADE.

O produtor não controla completamente o primeiro componente.

Mas consegue trabalhar sobre os outros dois.

É exatamente aí que manejo entra na equação.

POR QUE O PLANTIO DIRETO PODE AJUDAR?

Um sistema de plantio direto bem conduzido mantém maior quantidade de resíduos vegetais sobre a superfície.

Essa palhada funciona como proteção.

Ela pode ajudar a:

reduzir impacto direto das gotas de chuva;

diminuir erosão;

reduzir perda de água por evaporação;

moderar temperatura do solo;

favorecer infiltração;

melhorar estrutura ao longo do tempo.

Mas existe uma ressalva importante.

PLANTIO DIRETO NÃO SIGNIFICA APENAS “NÃO ARAR”

Um sistema eficiente exige construção.

Rotação de culturas.

Produção de palhada.

Cobertura permanente.

Controle de compactação.

Correção química do perfil.

Biologia.

Raízes.

Matéria orgânica.

Quando o chamado plantio direto é utilizado apenas como ausência de revolvimento, sem diversidade e sem cobertura adequada, parte dos benefícios esperados pode ser reduzida.

O OBJETIVO É TRANSFORMAR O SOLO EM UM RESERVATÓRIO MAIS EFICIENTE

Em um ambiente sujeito a veranicos, armazenar água no perfil pode ser decisivo.

Imagine duas propriedades recebendo exatamente a mesma quantidade de chuva.

Na primeira, o solo possui:

boa estrutura;

raízes profundas;

palhada;

menor compactação;

boa infiltração.

Na segunda:

solo descoberto;

compactação;

baixa infiltração;

sistema radicular superficial.

Meteorologicamente, as duas receberam a mesma precipitação.

Agronomicamente, podem possuir quantidades muito diferentes de água disponível para a cultura.

É POR ISSO QUE MILÍMETRO DE CHUVA NÃO CONTA TODA A HISTÓRIA

O produtor costuma acompanhar:

10 mm.

30 mm.

50 mm.

100 mm.

Esses números são fundamentais.

Mas existe outra pergunta:

QUANTO DESSA ÁGUA ENTROU E PERMANECEU NO PERFIL?

Parte pode:

escoar;

evaporar;

ficar superficialmente;

ser perdida antes de alcançar raízes mais profundas.

A eficiência hídrica começa antes da planta utilizar a água.

Começa na capacidade do solo de recebê-la.

E ESSA DISCUSSÃO FICA AINDA MAIS IMPORTANTE EM ANOS DE EL NIÑO

Se o intervalo entre chuvas aumentar, a planta dependerá da reserva acumulada anteriormente.

Um solo capaz de armazenar mais água oferece uma espécie de amortecedor.

Não elimina uma estiagem severa.

Mas pode aumentar o número de dias que a cultura suporta entre eventos de precipitação.

E poucos dias adicionais podem fazer diferença dependendo da fase fenológica.

O ESTUDO TAMBÉM REFORÇA A IMPORTÂNCIA DO ZARC

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático — Zarc — utiliza dados meteorológicos históricos, balanço hídrico do solo e características das culturas para estabelecer janelas de semeadura associadas a diferentes níveis de risco.

A metodologia trabalha com níveis de:

20%;

30%;

40% de risco

para diferentes combinações de município, solo, ciclo e época.

O objetivo não é prever exatamente o clima daquela safra.

É identificar estatisticamente quando a probabilidade de perda se torna maior ou menor.

MAS O ZARC TAMBÉM NÃO DEVE SER UTILIZADO ISOLADAMENTE

Esse ponto é fundamental.

O zoneamento utiliza histórico climático.

O produtor está tomando uma decisão no presente.

Portanto, a melhor análise combina:

Zarc;

previsão meteorológica;

umidade atual do solo;

chuva acumulada;

previsão para os dias seguintes;

características do talhão;

cultivar;

capacidade operacional.

O zoneamento delimita risco histórico.

A meteorologia ajuda a interpretar a situação atual.

É A COMBINAÇÃO DE ESCALAS QUE MELHORA A DECISÃO

ESCALA CLIMÁTICA:
Existe El Niño? Qual sua intensidade?

ESCALA SAZONAL:
Qual a tendência de chuva para os próximos meses?

ESCALA METEOROLÓGICA:
O que está previsto para os próximos dias?

ESCALA DA FAZENDA:
Quanto choveu realmente aqui?

ESCALA DO TALHÃO:
Quanto de água existe no perfil?

Essa sequência transforma informação climática em decisão agrícola.

UM MESMO EL NIÑO PODE PRODUZIR RESULTADOS DIFERENTES EM DUAS FAZENDAS

Essa talvez seja a principal mensagem prática da pesquisa.

Imagine propriedades vizinhas.

Mesmo clima regional.

Mesmo El Niño.

Mas:

uma possui solo estruturado;

outra possui compactação.

Uma escalonou a semeadura.

Outra concentrou toda a operação em poucos dias.

Uma entrou após recuperação adequada da umidade.

Outra plantou depois da primeira chuva relevante.

Uma possui maior quantidade de palhada.

Outra apresenta solo mais exposto.

O fenômeno climático é igual.

A vulnerabilidade não é.

E ESCALONAR O PLANTIO PODE FUNCIONAR COMO DIVERSIFICAÇÃO DE RISCO

Existe um princípio conhecido no mercado financeiro:

não concentrar toda exposição no mesmo ativo.

Na agricultura existe uma lógica semelhante.

Quando toda a área é implantada em intervalo muito curto, grande parte da lavoura pode chegar às mesmas fases fenológicas simultaneamente.

Se ocorrer um evento climático adverso justamente naquele período, a exposição aumenta.

O escalonamento pode distribuir parte desse risco.

MAS ESCALONAMENTO TAMBÉM POSSUI CUSTO

Não existe solução perfeita.

Espalhar demais o plantio pode:

empurrar parte da área para janelas menos favoráveis;

atrasar colheita;

comprometer segunda safra;

aumentar complexidade operacional.

Por isso, a decisão precisa considerar o sistema completo.

Soja não termina na soja.

Em muitas propriedades, ela define quando começa:

milho;

algodão;

ou outra cultura sucessora.

É AQUI QUE O EL NIÑO PODE PRODUZIR UM EFEITO EM CASCATA

Imagine que o produtor espere mais alguns dias para reduzir o risco de semear em solo com umidade insuficiente.

Agronomicamente, pode ser prudente.

Mas a soja será colhida mais tarde.

Consequentemente, a segunda cultura também poderá ser implantada depois.

Isso pode empurrá-la para uma condição climática menos favorável no final do ciclo.

A decisão correta precisa equilibrar riscos.

NÃO EXISTE “PLANTE MAIS TARDE” COMO REGRA UNIVERSAL

Seria incorreto interpretar o estudo dessa maneira.

Os pesquisadores identificaram padrões de resposta dentro das condições simuladas.

Isso não significa que todo produtor do MATOPIBA deva simplesmente atrasar sua semeadura.

A decisão depende do ambiente.

E é justamente por isso que modelos agrícolas são úteis.

Eles ajudam a testar cenários.

MODELOS NÃO PREVEEM O FUTURO COM CERTEZA

Esse esclarecimento também é importante.

Uma simulação não diz exatamente quantas sacas determinada fazenda colherá em 2026/27.

Ela utiliza relações conhecidas entre:

planta;

solo;

atmosfera;

manejo

para estimar como a cultura responde a diferentes condições.

É uma ferramenta de análise de risco.

Não uma profecia.

MAS 50 ANOS DE DADOS CRIAM UMA BASE PODEROSA

A agricultura sempre conviveu com memória climática.

Produtores lembram:

“naquele El Niño aconteceu isso.”

“naquela La Niña aconteceu aquilo.”

Essa experiência possui valor.

Mas existe um limite.

A memória humana seleciona eventos marcantes.

Modelos conseguem processar décadas inteiras de dados diariamente registrados.

Quando as duas coisas são combinadas — experiência de campo e ciência — a decisão tende a ficar mais robusta.

E OUTRO ESTUDO PUBLICADO EM 2026 REFORÇA O ALERTA

Uma pesquisa publicada em abril deste ano analisou conjuntamente secas e ondas de calor nas principais regiões produtoras de soja do Brasil.

Os pesquisadores encontraram aumento da frequência e severidade de eventos compostos de seca e calor, com sensibilidade particularmente elevada nas fronteiras agrícolas do Nordeste e Sul do país.

O trabalho estimou que, ao longo do período analisado, os municípios estudados acumularam aproximadamente 3,29 milhões de toneladas de perdas de soja, correspondentes a uma redução média de cerca de 3,7% em relação à produtividade destendenciada de cinco anos.

E BOM JESUS, NO PIAUÍ, APARECEU NA PESQUISA

Esse segundo estudo identificou em Bom Jesus uma tendência significativa de redução em indicadores relacionados à disponibilidade hídrica ao longo do tempo.

É mais uma conexão direta com o MATOPIBA.

Isso não significa que Bom Jesus esteja condenado a perder produtividade.

Significa que o risco hidroclimático precisa entrar cada vez mais no planejamento agrícola da região.

O PROBLEMA PODE NÃO SER APENAS A SECA

Existe uma combinação potencialmente mais perigosa:

SECA + CALOR.

Quando falta chuva e a temperatura permanece elevada, dois problemas acontecem simultaneamente.

Menos água entra no sistema.

Mais água pode ser demandada pela atmosfera.

Essa combinação aumenta o estresse.

É O CHAMADO EVENTO COMPOSTO

Agricultura raramente sofre com uma variável isolada.

Pode ocorrer:

déficit hídrico + calor;

excesso de chuva + baixa radiação;

umidade + doença;

seca + incêndio;

chuva intensa + erosão.

A combinação pode ser mais prejudicial do que cada fator analisado separadamente.

É por isso que a ciência climática moderna trabalha cada vez mais com eventos compostos.

PARA O MATOPIBA, ISSO POSSUI ENORME RELEVÂNCIA

A região possui características que aumentam a importância da gestão hídrica.

Longa estação seca.

Transição relativamente rápida para o período chuvoso.

Temperaturas elevadas.

Agricultura predominantemente de sequeiro em grandes áreas.

Solos profundos em muitas regiões, mas com características físicas e químicas que precisam ser construídas e manejadas.

Por isso, água armazenada no solo é um ativo produtivo.

O PRODUTOR NÃO CONSEGUE FABRICAR CHUVA

Mas consegue trabalhar para aproveitar melhor cada chuva que recebe.

Esse é o ponto onde ciência climática encontra manejo agronômico.

Construção de perfil.

Cobertura.

Rotação.

Palhada.

Raízes.

Descompactação quando tecnicamente necessária.

Correção química.

Matéria orgânica.

Tudo isso influencia a maneira como a propriedade responde quando o clima deixa de colaborar.

E A SAFRA 2026/27 TORNA O ESTUDO AINDA MAIS OPORTUNO

A pesquisa foi divulgada justamente em um momento no qual o El Niño voltou ao centro das decisões agrícolas.

Portanto, não estamos falando apenas de conhecimento acadêmico para futuras décadas.

Estamos falando de informação que pode ajudar a interpretar a temporada que está começando.

A principal conclusão não deveria ser:

“El Niño reduz soja.”

Isso seria simplificar demais.

A conclusão mais útil é:

“O EFEITO DO EL NIÑO DEPENDE TAMBÉM DE QUANDO E COMO A SOJA É IMPLANTADA.”

ESSA MUDANÇA DE PERSPECTIVA É IMPORTANTE

Porque transforma o produtor de espectador do clima em gestor de risco.

Ele continua sem controlar o Pacífico.

Mas pode decidir:

quando entrar;

quanto da área plantar;

qual cultivar utilizar;

como distribuir a semeadura;

como manejar o solo;

quanto risco aceitar.

Isso é gestão.

CIÊNCIA NÃO ELIMINA INCERTEZA

Ela ajuda a quantificá-la.

Esse é o verdadeiro valor de estudos como esse.

O produtor nunca terá garantia climática.

Mas pode tomar decisões com mais informação.

E, em uma atividade em que poucos dias de déficit hídrico podem representar milhões de reais, transformar incerteza em risco mensurável possui valor econômico.

O GRANDE RESULTADO DO ESTUDO TALVEZ NÃO SEJA UM NÚMERO

É uma mudança na pergunta.

Em vez de perguntar apenas:

“O EL NIÑO SERÁ RUIM PARA A SOJA?”

o produtor deveria perguntar:

“COM ESTE EL NIÑO, NESTE SOLO, NESTA DATA, COM ESTE MANEJO E ESTA CULTIVAR, QUAL É O RISCO QUE ESTOU ASSUMINDO?”

Essa é uma pergunta muito mais difícil.

Mas também é muito mais útil.

Porque o clima não pode ser controlado.

A exposição ao clima pode.

E em uma safra 2026/27 que começa cercada de incertezas meteorológicas, cinco décadas de dados analisados pela ciência deixam uma mensagem particularmente importante para o MATOPIBA:

não basta esperar pela chuva. É preciso construir um sistema produtivo preparado para atravessar os períodos em que ela não vier como esperado.

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Aroldo Junior

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