Região conhecida por cachoeiras, montanhas e trilhas começa a ganhar espaço também pela produção de vinhos; roteiros foram apresentados em fórum internacional realizado neste mês em São Paulo.
Quando alguém pensa na Chapada Diamantina, algumas imagens surgem imediatamente.
Cachoeiras gigantescas.
Montanhas.
Grutas.
Poços de águas cristalinas.
Trilhas.
Cidades históricas.
Mas uma nova experiência começa a disputar espaço nesse cartão-postal baiano:
VINHO.
A produção vitivinícola da Chapada Diamantina está ajudando a construir uma nova vertente turística na região, unindo agricultura, gastronomia, cultura e experiências dentro das próprias vinícolas.
E esse mercado começa a ganhar projeção além da Bahia.
Neste mês, os roteiros de vinhos da Chapada Diamantina e do Vale do São Francisco foram apresentados no 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado no WTC Events Center, em São Paulo.
O evento reuniu representantes da indústria de viagens e da produção vitivinícola do Brasil e de outros países para discutir justamente a integração entre turismo, vinho e gastronomia.
NÃO É APENAS VENDER UMA GARRAFA
Essa talvez seja a principal diferença do enoturismo.
Uma vinícola tradicional produz vinho e vende o produto.
Uma vinícola inserida no turismo pode vender também:
visitação;
degustação;
gastronomia;
história;
paisagem;
experiência;
hospedagem;
eventos;
e produtos regionais.
O consumidor deixa de comprar somente aquilo que está dentro da garrafa.
Ele compra a experiência de conhecer onde e como aquele vinho foi produzido.
É uma mudança importante na geração de valor.
A CHAPADA GANHA UM NOVO PRODUTO TURÍSTICO
A Chapada Diamantina já possui uma marca turística consolidada no Brasil.
O desafio é fazer com que o visitante permaneça mais tempo na região e encontre novas atividades durante a viagem.
É justamente aí que o enoturismo ganha força.
Um turista pode passar um dia percorrendo trilhas.
Outro visitando cachoeiras.
Outro conhecendo cidades históricas.
E reservar parte da viagem para conhecer uma vinícola, caminhar entre parreirais, entender o processo produtivo e participar de uma degustação.
Isso amplia o catálogo de experiências oferecidas pelo destino.
DO PARREIRAL À TAÇA
Segundo informações divulgadas após o fórum, os roteiros apresentados pela Bahia incluem experiências imersivas nas vinícolas, passando pelo parreiral, processo produtivo, história regional e degustação de rótulos.
Essa integração é exatamente o que transformou regiões vitivinícolas de diferentes países em destinos turísticos.
O vinho funciona como produto.
Mas também como motivo da viagem.
UM TURISTA DIFERENTE
O enoturismo também pode atrair um perfil de visitante complementar ao turismo tradicional de aventura.
Nem todo turista quer percorrer uma trilha longa.
Nem todo visitante procura turismo radical.
Há consumidores interessados em:
gastronomia;
cultura;
experiências premium;
história;
paisagens;
produtos artesanais;
e turismo rural.
Ao desenvolver essa vertente, a Chapada consegue ampliar seu público potencial.
O TURISMO PODE AGREGAR VALOR À PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Existe ainda uma relação interessante com o próprio agronegócio.
Normalmente, uma atividade agrícola é remunerada pela quantidade e pelo valor do produto comercializado.
No turismo rural, uma propriedade consegue adicionar outra fonte de receita ao mesmo ativo produtivo.
A plantação deixa de ser apenas uma área de produção.
Também pode virar atração.
Isso acontece com:
vinhedos;
cafeeiros;
fazendas de cacau;
queijarias;
alambiques;
fazendas históricas;
e diferentes sistemas produtivos.
O campo passa a vender também experiência.

VINHO + GASTRONOMIA + CULTURA
Existe outra vantagem.
Poucos produtos combinam tão naturalmente com gastronomia quanto o vinho.
E isso cria oportunidades para conectar as vinícolas a outros produtos regionais.
Queijos.
Carnes.
Doces.
Cafés.
Cachaças.
Restaurantes.
Produtos artesanais.
A própria participação baiana no fórum internacional colocou lado a lado os roteiros vitivinícolas e a produção de cachaças do estado, reforçando a possibilidade de integrar bebidas, gastronomia e turismo.
UMA ECONOMIA QUE SE ESPALHA PELO DESTINO
Quando uma pessoa compra uma garrafa de vinho produzida na Chapada em outra cidade, parte do valor retorna à cadeia produtiva.
Mas quando essa mesma pessoa viaja até a Chapada para conhecer a vinícola, o impacto econômico é muito maior.
Ela precisa se hospedar.
Comer.
Abastecer.
Contratar transporte.
Comprar produtos.
Talvez contratar um guia.
Visitar outras atrações.
O vinho passa a funcionar como uma porta de entrada para toda a economia turística regional.
CHAPADA TAMBÉM GANHA VISIBILIDADE NACIONAL
O momento é favorável.
Nesta semana, a Chapada Diamantina voltou a aparecer entre destinos brasileiros recomendados para viagens ligadas à natureza em setembro, em seleção elaborada pelo KAYAK.
O Parque Nacional da Chapada Diamantina possui aproximadamente 152 mil hectares e quase 300 quilômetros de trilhas, além da combinação de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.
Essa força do turismo de natureza pode servir como base para desenvolver outras experiências.
O objetivo não precisa ser substituir aquilo que tornou a Chapada famosa.
É adicionar novas razões para visitá-la.
O TURISTA PODE FICAR MAIS TEMPO
Essa é uma das maiores oportunidades.
Quanto maior a variedade de experiências disponíveis, maior a possibilidade de aumentar a permanência média.
Um visitante que ficaria três dias pode permanecer quatro.
Quem ficaria quatro pode permanecer cinco.
Uma noite adicional significa:
mais uma diária;
mais refeições;
mais consumo;
mais deslocamentos;
mais compras.
Multiplique isso por milhares de turistas e existe um impacto econômico relevante.
O ENOTURISMO PODE CRIAR UMA NOVA MARCA PARA A REGIÃO
A Chapada Diamantina já possui uma imagem extremamente forte ligada à natureza.
Agora existe oportunidade de acrescentar outra camada:
Chapada dos vinhos.
Não para competir com Serra Gaúcha, Mendoza ou outras regiões vitivinícolas consolidadas.
Mas para construir uma identidade própria.
Vinho produzido em condições particulares.
Paisagens da Chapada.
Gastronomia baiana.
Cultura regional.
Natureza.
Essa combinação dificilmente pode ser reproduzida em outro lugar.
E ISSO É MARKETING TERRITORIAL
Um destino turístico forte não vende apenas atrações isoladas.
Ele vende uma identidade.
Quando um território consegue associar seu nome a determinados produtos e experiências, cria valor para empresas localizadas ali.
É o que acontece quando consumidores associam determinados lugares a vinho, café, chocolate, queijo ou gastronomia.
O território funciona como uma marca.
E a Chapada Diamantina já possui uma marca extremamente conhecida.
O desafio agora é ampliar aquilo que essa marca representa.
UMA NOVA FACE DO TURISMO NO MATOPIBA
O desenvolvimento do enoturismo também ajuda a mostrar algo importante sobre o MATOPIBA.
A região não precisa ser conhecida apenas por grandes lavouras e produção de commodities.
Existe espaço para outras economias.
Turismo.
Gastronomia.
Economia criativa.
Produção artesanal.
Experiências rurais.
Cultura.
A própria agricultura pode participar dessa diversificação.
Um vinhedo pode produzir uvas.
Uma vinícola pode produzir vinho.
E os dois juntos podem ajudar a produzir também:
turismo.
A apresentação dos roteiros da Chapada Diamantina em um fórum internacional neste mês mostra que essa ideia começa a sair do âmbito regional.
O vinho baiano quer encontrar novos consumidores.
Mas talvez exista uma oportunidade ainda maior:
fazer o consumidor viajar até a Bahia para descobrir onde esse vinho nasce.
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