Tecnologia desenvolvida no Espírito Santo abre caminho para ganhos de produtividade, qualidade genética e fortalecimento da cadeia do gengibre no país.
A inovação no agronegócio brasileiro ganhou um importante capítulo com o desenvolvimento da primeira cultivar de gengibre oficialmente registrada no Brasil. Batizada de “Imigrante”, a variedade foi criada pelo produtor rural Alexandre Lemke Belz, em parceria com pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), após mais de uma década de estudos e seleção genética.
Até então, o país produzia gengibre utilizando materiais propagados de forma tradicional, sem uma cultivar nacional oficialmente registrada. O novo material representa um avanço importante para a horticultura brasileira ao oferecer maior padronização genética, produtividade e qualidade para os produtores.
Segundo os pesquisadores, a cultivar “Imigrante” apresentou produtividade de até 145 toneladas por hectare, desempenho significativamente superior à média observada em muitas áreas produtoras. O desenvolvimento também busca oferecer maior uniformidade das plantas, característica essencial para atender aos mercados interno e internacional.
O Espírito Santo lidera a produção brasileira de gengibre e responde pela maior parte das exportações nacionais. Em 2025, o estado embarcou 28,6 mil toneladas para cerca de 50 países, consolidando-se como referência internacional na cultura.

Outro avanço recente foi a implantação do primeiro viveiro certificado de mudas de gengibre do Brasil, iniciativa que permitirá ampliar a oferta de mudas de alta qualidade sanitária e genética para produtores de diferentes regiões do país. O projeto representa mais um passo para profissionalizar a cadeia produtiva e reduzir riscos relacionados à propagação de doenças.
Embora o gengibre ainda não seja uma cultura de grande expressão no MATOPIBA, o caso demonstra como a pesquisa aplicada e a parceria entre produtores e instituições de ensino podem gerar soluções capazes de transformar cadeias produtivas inteiras. O desenvolvimento de novas cultivares é um dos principais fatores responsáveis pelo aumento da produtividade agrícola brasileira nas últimas décadas.
Especialistas destacam que materiais genéticos registrados oferecem maior segurança aos produtores, facilitam programas de melhoramento, ampliam a competitividade e estimulam novos investimentos em culturas de alto valor agregado.
O sucesso da cultivar “Imigrante” reforça o papel da inovação como um dos pilares do agronegócio nacional. Mais do que criar uma nova variedade, o projeto demonstra que o conhecimento técnico, aliado à experiência do produtor rural, pode gerar tecnologias capazes de fortalecer a agricultura brasileira e abrir novas oportunidades para o mercado de hortaliças e especiarias.
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